Hoje resolvi fazer uma retrospectiva, inspirada pelo Artist Challenge no Facebook, e falar um pouquinho sobre um episódio muito importante na minha vida: minha primeira viagem para o Tribal Fest! Foi também minha primeira viagem para fora do país, e a primeira vez que viajei sozinha. Ufa!
Eu já estudava tribal por vídeos e por conta própria fazia 2 anos, acompanhando religiosamente as minhas aulas de dança do ventre semanais com a Jannah El Havanery, minha primeira prof. Daí eu fiquei conhecendo o festival pela internet, e num momento de "vai ou racha", decidi que era hora de conhecer de perto aquele universo do tribal que tanto me fascinava... Os vídeos ainda eram meio raros, youtube ainda não rolava que nem hoje, e ainda era bem difícil ter acesso às informações sobre tribal. Então escolhi os workshops pelas descrições e pela foto dos professores, ainda não conhecia quase ninguém, com exceção, é óbvio da Rachel Brice. Na época o festival também ainda não era a loucura que é atualmente, era bem menos popular...
Combinei tudo pela internet, na época estava a todo vapor um site de relacionamentos chamado Tribe e existiam diversas comunidades onde as pessoas conversavam e realmente trocavam informações diversas sobre tribal, aprendi horrores nesses tempos e passava horas lendo os tópicos das comunidades, sempre ávida por informações vindas de fontes confiáveis. Arranjei duas roomates americanas para dividir as despesas de hotel e carro, e lá fui eu!
Fiquei surpresa com a calma e tranquilidade do evento, coisa que mudou drasticamente em 2008, quando voltei lá. Era tudo muito gostoso, as professoras e bailarinas circulando, sentadas na grama, tomando sol... O evento acontece até hoje num centro comunitário, então são vários espaços e salas ligados por grama e jardins, e um salão principal onde ocorrem os shows e os works maiores. É bem relax o ambiente! Mas o meu primeiro momento de glória nessa viagem foi quando vi a Rachel antes mesmo de chegar ao festival, tomando café no mercado próximo. Quase caí dura, não estava preparada ainda! hahahaha
Fiz workshops com a Rachel, a Jill Parker e a Amy Sigil, além de outras professoras não tão famosas como a Donna Mejia, a Aruna e uma aula fantástica sobre presença de palco com a Mahalia. Na época ainda não eram famosas muitas das famosas que estouraram um pouco depois como a Zoe, a Kami... Elas ainda não eram professoras no festival. Me apaixonei pela Amy Sigil, como todo aquele girl power, aquela aula e dança que eram energia pura! Foi lá que gamei no Unmata! No todo das aulas, foi uma oportunidade muito especial de me certificar de que o que eu conseguia estudar sozinha estava no caminho certo, tanto na teoria, quanto na prática. Isso me trouxe muita tranquilidade, em saber que eu podia continuar segura no meu caminho por aqui.
Outra coisa que foi um ponto alto para mim foi a oportunidade de ver um fim de semana inteiro de performances de tribal, durante dia e noite, e entender que nem só porque vinha de lá, era bom! Como tudo, tinha muita coisa bacana, e muita coisa não. Assisti a Rachel de pertinho, a Asharah, de quem fiquei fã depois de conhecer lá, o Unmata, o Ultra Gypsy (grupo da Jill na época), o extindo Atash Maya da Sabrina Fox e na época da Melodia também e muitas, mas muitas outras coisas! Ah, inclusive meu outro amor, a Frederique, que não deu aula no evento mas participou do show e eu vi de perto também! Sem falar na feira de tribal cheia daquelas coisas maravilhosas e até então inacessíveis, muita emoção! rsrsrs
Com exceção de um vôo de volta perdido por conta de um passeio muito demorado em São Francisco, cidade próxima do TF, que é em Sebastopol, foi tudo maravilhoso e uma oportunidade única!!! Foram muitas emoções pra uma só viagem! Levo no coração esse primeiro contato ao vivo com o tribal na gringa, e foi o start de muitas coisas que vieram depois! Mais pra frente eu conto sobre a segunda ida ao Tribal Fest dois anos depois e todas as mudanças que aconteceram! ;-)
Com a Rachel depois do work e meu cabelo água de salsicha.
Com a Jill Parker depois do work
Com a Amy Sigil
Minhas roomates Naxi e Shara!
O passeio que rendeu uma visita à Golden Gate e um vôo de volta pra casa perdido! Valeu a pena! ;-)
quarta-feira, 11 de março de 2015
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Performance X Roupa
Lendo uma matéria sobre figurinos, comecei a pensar nos trajes no Tribal Fusion. É indiscutível que a nossa dança (assim como qualquer outra) é uma arte visual e, como tal, tem um apelo estético muito forte, a roupa se torna parte indispensável da performance. Mas e quando a roupa é tão, mas tão incrível que chama mais atenção do que a dança em si? Devo confessar que já me peguei assistindo vídeos em que a graça estava mais na produção do que na dança. E eu nunca tinha me dado conta desse fato antes! Geralmente, quando a maior parte dos elogios vai para sua roupa, é porque foi o que mais marcou na apresentação.
Quando dançamos, tem uma mistura de fatores que fazem com que alguém goste ou não do que estamos fazendo. É uma quantidade grande de informação sendo transmitida em alguns poucos minutos. Vejamos: música (ou mix musical se tiver mais que uma), imagem, a dança, a atmosfera geral da performance, a expressão... É uma quantidade considerável de informação para se absorver. Às vezes, é difícil perceber o que foi que realmente tocou. Por isso acontece muito de se uma bailarina tem apelo visual super forte, agrada muito mais facilmente. Muitas vezes quem assiste não sabe se o que foi bom foi a dança, a atmosfera geral, ou simplesmente algo que foi muito agradável aos olhos por alguns minutos. É claro que é muito importante que tenhamos uma imagem que seja harmoniosa. Mas, se ao final de uma apresentação, todo mundo comentar apenas sobre a minha roupa, eu vou achar que deu alguma coisa muito errada dessa vez... A roupa deve servir a dança, e não o contrário! Então, por mais que seja importante termos uma boa imagem, um traje bem elaborado, com aparência profissional, que nos valorize e valorize a nossa dança da melhor maneira possível, não queremos trajes que falem por si só, e sim trajes que precisem de nós para se comunicarem!
Quando dançamos, tem uma mistura de fatores que fazem com que alguém goste ou não do que estamos fazendo. É uma quantidade grande de informação sendo transmitida em alguns poucos minutos. Vejamos: música (ou mix musical se tiver mais que uma), imagem, a dança, a atmosfera geral da performance, a expressão... É uma quantidade considerável de informação para se absorver. Às vezes, é difícil perceber o que foi que realmente tocou. Por isso acontece muito de se uma bailarina tem apelo visual super forte, agrada muito mais facilmente. Muitas vezes quem assiste não sabe se o que foi bom foi a dança, a atmosfera geral, ou simplesmente algo que foi muito agradável aos olhos por alguns minutos. É claro que é muito importante que tenhamos uma imagem que seja harmoniosa. Mas, se ao final de uma apresentação, todo mundo comentar apenas sobre a minha roupa, eu vou achar que deu alguma coisa muito errada dessa vez... A roupa deve servir a dança, e não o contrário! Então, por mais que seja importante termos uma boa imagem, um traje bem elaborado, com aparência profissional, que nos valorize e valorize a nossa dança da melhor maneira possível, não queremos trajes que falem por si só, e sim trajes que precisem de nós para se comunicarem!
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Artista ou Artesão?
Há muitos anos que eu queimo os miolos pensando na questão do estilo próprio. Para mim é uma das questões mais profundas no Tribal Fusion, que é por si uma modalidade que abraça infinitas variáveis de estilo. Mas, por trás de todas essas variáveis de fusão (indiana, moderna, jazz, etc.), existe ainda um fator mais profundo que é o motor da dança em si. Como o SEU corpo se move? Como ELE e SÓ ELE executa esses movimentos, sejam eles de Tribal Fusion, dança indiana, ATS ou seja lá o que for?
Alguns meses atrás eu tive um grande insight sobre esse assunto ao assistir um documentário italiano chamado "Cinema feito à mão", sobre os ateliês na Itália que fabricam os figurinos e cenários dos filmes de Hollywood. O documentário é muito bom e recomendo para quem gosta de cinema! Porém o que realmente me marcou foi uma das entrevistas, com um exímio escultor que fazia cenários. O trabalho dele era absolutamente perfeito. Quando indagado pelo entrevistador sobre sua arte, ele respondeu: "Sou um artesão, não um artista. Artista é quem inventa, cria". Para mim essa noção foi um divisor de águas sobre o assunto. É simples e óbvio assim, só que eu nunca tinha conseguido concretizar de forma tão clara: o artesão pode até fazer tudo, ser o melhor, mas artista é quem cria.
A técnica não faz de ninguém artista. Dançar não faz de ninguém artista. Artista é quem cria, vai além da reprodução. Reproduzir as técnicas de uma determinada dança não representa trabalho artístico se não houver apropriação delas. Enquanto a técnica não se torna verdadeiramente sua, pessoal, ela não passa de uma técnica como tantas outras. Daí a importância de criar um repertório próprio, conhecer seu corpo, investir o suor. Para ser artista, e não artesão. E aí, qual caminho você escolhe? ;-)
Alguns meses atrás eu tive um grande insight sobre esse assunto ao assistir um documentário italiano chamado "Cinema feito à mão", sobre os ateliês na Itália que fabricam os figurinos e cenários dos filmes de Hollywood. O documentário é muito bom e recomendo para quem gosta de cinema! Porém o que realmente me marcou foi uma das entrevistas, com um exímio escultor que fazia cenários. O trabalho dele era absolutamente perfeito. Quando indagado pelo entrevistador sobre sua arte, ele respondeu: "Sou um artesão, não um artista. Artista é quem inventa, cria". Para mim essa noção foi um divisor de águas sobre o assunto. É simples e óbvio assim, só que eu nunca tinha conseguido concretizar de forma tão clara: o artesão pode até fazer tudo, ser o melhor, mas artista é quem cria.
A técnica não faz de ninguém artista. Dançar não faz de ninguém artista. Artista é quem cria, vai além da reprodução. Reproduzir as técnicas de uma determinada dança não representa trabalho artístico se não houver apropriação delas. Enquanto a técnica não se torna verdadeiramente sua, pessoal, ela não passa de uma técnica como tantas outras. Daí a importância de criar um repertório próprio, conhecer seu corpo, investir o suor. Para ser artista, e não artesão. E aí, qual caminho você escolhe? ;-)
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