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quarta-feira, 6 de julho de 2016

O corpo da dança

Conversando com uma colega esses tempos, discutíamos como o ATS tem um "corpo" específico, e sobre a dificuldade de conseguir esse "corpo".

Se compararmos com os esportes, por exemplo, o nadador tem um corpo, o corredor outro, o jogador de futebol outro... A gente até consegue adivinhar de qual esporte um atleta vem só de olhar para seu corpo! Nadadores têm ombros largos (bastante!), corredores são fortes porém muito esguios, têm uma leveza muscular, jogadores de futebol têm muita perna... e assim vai. 

Na dança não é diferente! Quando praticamos muito alguma coisa, o corpo ganha a memória muscular pela repetição, e isso vai moldando o tal do corpo da dança. Sem contar preparos físicos específicos que precisamos adquirir para melhorar nosso desempenho na dança, o que também vai moldando o corpo. Sem sair do universo das danças étnicas, uma dançarina de flamenco, por exemplo, costuma ter um torso forte, ombros mais largos pelas posturas de braço altas e vigorosas e tornozelos fortes pelo sapateado; as danças brasileiras trazem uma pelve pesada, enraizada, e pernas fortes por toda flexão de joelhos; dançarinas do ventre costumam ter um tônus muscular equilibrado, não muito alto e costumam ser flexíveis, de abdômen forte - o que não se limita a "barriga tanquinho", pode-se ter um abdomên forte sem ter tanquinho. 
E o ATS? O ATS traz postura altiva, não usamos quase movimentos laterais de torso o que traz um centro forte, peito erguido, braços bem desenvolvidos para suportar a sustenção alta quase que o tempo inteiro, quadris acentuados para o trabalho de repertório rápido... Uma configuração física diferente do tribal fusion, por exemplo, que enfatiza mais a flexibilidade, as lateralizações de torso, flexões da coluna em todas as direções e isolamentos fortes e precisos. 
Ao mesmo tempo em que esse corpo é fruto da dança ele é também facilitador dela. Quanto mais o corpo tiver sido moldado por aquilo, mais facilmente ele irá desempenhar a técnica. Por isso que é tão difícil adquirir o corpo de cada dança,  porque cada uma tem suas características físicas específicas, e muitas horas de treino estritamente na modalidade são necessários para adquirir essa identidade. E uma vez adquirida, você não se desfaz de uma hora pra outra, e muda a chavinha pra próxima dança. Torna-se parte de você, parte do seu corpo e tudo que você fizer a partir desse momento será construído a partir da configuração que você já tem. Leva anos para adquirir memória muscular nova a ponto de chegar no corpo de outra dança, e tenho sérias dúvidas sobre a habilidade de entrar e sair totalmente de uma dança pra entrar em outra. São caminhos criados no cérebro por anos e anos de treinamento, e a partir do momento que foi dada prioridade para uma dança em detrimento de outra, seu corpo habitua-se aquilo. Não dá pra imergir em tudo, e ter o corpo de tudo. Havendo priorizado a linguagem do Tribal Fusion por muitos anos, corri e corro ainda atrás do corpo de ATS. 
Por isso, acho legal ter essa consciência ao estudar. Quando você sabe o corpo de qual dança você quer, fica mais fácil ser bom em alguma coisa! ;)

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Árvore de natal tribal?


Recentemente dancei num evento que pedia um traje "mais informal'", mais simples... O resultado foi que no meu "simples" de tribal ainda deixei meia dúzia de coisas que tinha planejado usar na bolsa pra mimetizar um pouquinho mais com as outras dançarinas da noite. E fiquei me perguntando: mas por que eu preciso de tudo isso pra dançar? Será porque preciso entrar na persona? Para uma pessoa "introtudo" como eu, que aprendeu a falar em público pra poder dar aula, pensei que sim, claro... Preciso disso pra entrar na persona. Mas daí não, lembrei do porque... Lembrei do ATS, claro! No ATS a gente adorna toda parte do corpo quanto possível. Maquiagem, bindi, acessórios mil, cabeça cheia... Tudo isso pra atração não ser o corpo em si, mas a dança! Adornamos o corpo para revelar a dança. Por isso não consegui ir simplinha demais, faz parte do todo. Faz parte da filosofia por trás do estilo. E esse princípio serve a dança de maneira fantástica. Dá poder! Sem contar a sensação fantástica de se montar inteira  com pecinhas escolhidas a dedo, uma a uma, às vezes feitas por você, às vezes por pessoas de quem você gosta ou admira o trabalho, às vezes por mãos autenticamente tribais... Pra mim, é uma maneira altamente eficaz de manter o feeling tribal. Quero me sentir uma árvore de natal. Gosto disso. Assim eu sei que o público estará tentando desvendar a minha sobreposição de xales com cinto, o meu headpiece, e não se estou usando a última tendência em esmaltes nas unhas. É, acho que é isso! Power to the árvore de natal!!!

*Foto por Maurice Pirotte

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Performance X Roupa

Lendo uma matéria sobre figurinos, comecei a pensar nos trajes no Tribal Fusion. É indiscutível que a nossa dança (assim como qualquer outra) é uma arte visual e, como tal,  tem um apelo estético muito forte, a roupa se torna parte indispensável da performance. Mas e quando a roupa é tão, mas tão incrível que chama mais atenção do que a dança em si? Devo confessar que já me peguei assistindo vídeos em que a graça estava mais na produção do que na dança. E eu nunca tinha me dado conta desse fato antes! Geralmente, quando a maior parte dos elogios vai para sua roupa, é porque foi o que mais marcou na apresentação.
Quando dançamos, tem uma mistura de fatores que fazem com que alguém goste ou não do que estamos fazendo. É uma quantidade grande de informação sendo transmitida em alguns poucos minutos. Vejamos: música (ou mix musical se tiver mais que uma),  imagem, a dança, a atmosfera geral da performance, a expressão... É uma quantidade considerável de informação para se absorver. Às vezes, é difícil perceber o que foi que realmente tocou. Por isso acontece muito de se uma bailarina tem apelo visual super forte, agrada muito mais facilmente. Muitas vezes quem assiste não sabe se o que foi bom foi a dança, a atmosfera geral, ou simplesmente algo que foi muito agradável aos olhos por alguns minutos. É claro que é muito importante que tenhamos uma imagem que seja harmoniosa. Mas,  se ao final de uma apresentação, todo mundo comentar apenas sobre a minha roupa, eu vou achar que deu alguma coisa muito errada dessa vez... A roupa deve servir a dança, e não o contrário! Então, por mais que seja importante termos uma boa imagem, um traje bem elaborado, com aparência profissional, que nos valorize e valorize a nossa dança da melhor maneira possível, não queremos trajes que falem por si só, e sim trajes que precisem de nós para se comunicarem!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Artista ou Artesão?

Há muitos anos que eu queimo os miolos pensando na questão do estilo próprio. Para mim é uma das questões  mais profundas no Tribal Fusion, que é por si uma modalidade que abraça infinitas variáveis de estilo. Mas, por trás de todas essas variáveis de fusão (indiana, moderna, jazz, etc.), existe ainda um fator mais profundo que é o motor da dança em si. Como o SEU corpo se move? Como ELE e SÓ ELE executa esses movimentos, sejam eles de Tribal Fusion, dança indiana, ATS ou seja lá o que for?

Alguns meses atrás eu tive um grande insight sobre esse assunto ao assistir um documentário italiano chamado "Cinema feito à mão", sobre os ateliês na Itália que fabricam os figurinos e cenários dos filmes de Hollywood. O documentário é muito bom e recomendo para quem gosta de cinema! Porém o que realmente me marcou foi uma das entrevistas, com um exímio escultor que fazia cenários. O trabalho dele era absolutamente perfeito. Quando indagado pelo entrevistador sobre sua arte, ele respondeu: "Sou um artesão, não um artista. Artista é quem inventa, cria". Para mim essa noção foi um divisor de águas sobre o assunto. É simples e óbvio assim, só que eu nunca tinha conseguido concretizar de forma tão clara: o artesão pode até fazer tudo, ser o melhor, mas artista é quem cria.
A técnica não faz de ninguém artista. Dançar não faz de ninguém artista. Artista é quem cria, vai além da reprodução. Reproduzir as técnicas de uma determinada dança não representa trabalho artístico se não houver apropriação delas. Enquanto a técnica não se torna verdadeiramente sua, pessoal, ela não passa de uma técnica como tantas outras. Daí a importância de criar um repertório próprio, conhecer seu corpo, investir o suor. Para ser artista, e não artesão. E aí, qual caminho você escolhe? ;-)




quarta-feira, 5 de junho de 2013

Cadê o tom?


Talvez o tempo tenha me deixado muito cricri, mas tenho assistido tantos vídeos recentemente (inclusive de bailarinas famosas) em que me surpreende a falta de um tom geral para a apresentação. Por exemplo: a apresentação começa com uma música dark, acompanhando uma encenação meio teatral, e 2 minutos depois entra um balkan animado finalizando com um solo de derbak. Tudo com figurino  de inspiração anos 20. ???? Não estou dizendo que sou contra uma apresentação dinâmica com momentos distintos, mas que esses momentos tenham ligação entre si, que fluam de maneira suave... Acho que isso se deve em grande parte ao "pode tudo" do Tribal Fusion, já que podemos misturar tudo então vamos nos jogar! E pode se jogar... É só pensar um pouquinho na performance como um todo, como uma unidade. Pelo menos eu, como espectadora, gosto de perceber uma história, uma evolução natural de fatores por trás da performance, gosto de ser levada pelo "enredo". Quando acontecem mudanças bruscas no tom, no estilo musical, na coreografia, fico meio perdida, dificulta para que eu entre no clima. E não é nada difícil prestar atenção à isso, é só observar alguns fatores simples: Tem alguma mudança brusca na música/estilo musical, ou as músicas evoluem de maneira fluída? O figurino combina com todas as passagens/fusões da música, ou só com os primeiros 2 minutos? Pensar nessas duas questões já ajuda muito para estabelecer uma uniformidade na performance, um clima geral... Acho isso tão importante! Vamos dançar coisas com pé e cabeça? :)

obs: foto de um dos filmes mais wtf de todos os tempos, em que o Arnold Schwarzenegger fica "grávido". Combina tanto para ilustrar minha expressão ao ver esse tipo de contraste no palco quanto para demonstrar o quanto wtf coisas mal pensadas podem ser, como esse filme (a imagem fala por si só!)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Gothla 2012


O post de hoje traz a cobertura do Gothla 2012 que aconteceu no mês de junho no Rio de Janeiro e trouxe ao Brasil as bailarinas Ariellah (EUA) e Morgana (ESP). Quem contribuiu com as novidades dessa vez foi a Yoli Mendez. Brigadão Yoli! ;) Vamos lá:

"Confesso que o Tribal Gótico não é muito minha praia, mas como estudante de tribal, sempre que posso marco presença nos festivais que trazem bailarinas gringas para dar aulas. Este ano Jhade Shariff e Rhada Naschpitz trouxeram novos ares para o evento que acontece anualmente no Rio de Janeiro (ano passado com o nome de Tribes e esse ano como Gothla BR pois contou com a bailarina Morgana, criadora do evento gótico que leva o mesmo nome na Espanha).

Primeiro Dia - Sexta-feira dia 22 de junho

Bom, o evento se iniciou na sexta-feira, na escola Asmahan com os workshops das professoras convidadas Kilma Farias, Karina Leiro, Cibelle Souza e Paula Braz, Beth Damballah, Iman Najla e Morgana que encerrou o primeiro dia com um workshop de breaks e domínio corporal. Infelizmente só cheguei a tempo de fazer metade das aulas, então vou dar meu parecer sobre os works que pude participar.
Karina Leiro é sempre maravilhosa. Já fiz dois works com ela e sempre saio querendo mais. Ela ensina a fusionar os movimentos do flamenco com o tribal partindo sempre do movimento raiz, o que eu acho o máximo pois não aprendemos apenas um passo ou um combo, e sim aprendemos o movimento original que podemos ou não usar com o exemplo de fusão que ela propõe depois. Seguimos com Iman Najla, uma profe argentina que eu já conhecia pessoalmente de quando viajei para Buenos Aires para participar do seu evento que contou com a Ariellah em 2010. O workshop da Iman foi sobre técnicas de Dark Fusion, também me surpreendi bastante. Iman é uma professora super conceituada na Argentina que ensina e dança aquele gótico mais gótico do mundo, aquele que gosta de utilizar dentes de vampiros, punhais e lentes coloridas no palco, um estilo teatral, forte e sério. No work aprendemso a direcionar a energia dos braços e algumas maneiras de direcionar o olhar (aquele penetrante) para o público. Para finalizar, Morgana, muito simpática e linda nos explicou as diferenças entre locking, popping e breaks ensinando cada um deles em combinhos que futuramente uniu e fez uma coreografia. Deu para perceber que ela mandava muito bem e comecei a me animar para o show do dia seguinte, estava contanto as horas para vê-la dançar. E assim terminou o primeiro dia. Minha única reclamação foi o tempo de duração de alguns dos workshops, uma hora foi muito pouco :(

Segundo Dia - Sábado dia 23 de junho

O colégio Marista é lindo, adoro aquele lugar. O segundo dia se iniciou às 10:00 com o work "Combinações Avançadas" da Ariellah. como estava montando o ateliê não pude participar 100%. Ela utilizou alguns combos que já haviam sido ensinados nos workshops do ano anterior mas sempre vale a pena revisar :)
O workshop seguinte da Morgana foi sobre mímica animal. Ela ensinou alguns movimentos que referenciavam: pantera, serpente, gato, lobo, golfinho, cavalo e escorpião. Novamente juntou todos os combos de cada animal e fez uma coreografia só. Achei bem interessante, claro que nem todos aqueles movimentos ficaram bem para o meu corpo, hehehehe
Pausa para um lanchinho!
O segundo workshop da Ariellah foi sobre fluidez. Ela ensinou como ligar um movimento ao outro e realizar transições suaves entre os passos. Para quem já fez aula com ela, já é sabido: no começo aquela rodinha da galera sentada no chão e uma explicação maravilhosa sobre a importância da fluidez na dança, sobre a contração muscular, etc... O workshop terminou uma hora antes do esperado pois iria avançar no horário das mostras se continuasse, e o restante dele ficou para o dia seguinte. Me arrisquei em um improviso na mostra, hehehe

O show
Bem diferente do ano passado, o show me surpreendeu. O tema do show era Filmes Noir. A abertura foi bem legal, breve e divertida que contou com o personagem Saw do filme Jogos Mortais, ele era muito engraçado e ao mesmo tempo sinistro. Todas as nossas bailarinas estavam lindas, de verdade, mas minhas preferidas da noite foram: Aline Muhana, em uma interpretação maravilhosa do Poderoso Chefão, Gabriela Miranda, Cibelle Souza, Karine Xavier, Rebeca Piñeiro e Paula Braz. Ariellah é sempre maravilhosa, penetrante, intensa, sem palavras! Sobre a Morgana? Para mim ela foi quem levou o título da Rainha da Noite sendo aplaudida de pé após sua segunda performance. No geral o show foi maravilhoso, de super qualidade e de muito bom gosto. Terminado o show, o pessoal se reuniu em uma "after party" em um clube gótico. Essa parte eu vou pular, hehehe quem estava lá sabe o que quem não estava perdeu!

Terceiro Dia - Domingo dia 24 de junho.

Iniciamos com Morgana em um workshop sobre artes marciais e uso de adagas na dança, tenho certeza que depois de sua performance no dia anterior tinha muita gente empolgadíssima com esse work. O tema era bastante interessante porém não curti muito, nada com a aula nem com a professora, adagas e karatê é que não me apetecem muito. Seguimos com a Ariellah que finalizou o workshop do dia anterior sobre fluidez (com muitos giros para nossa alegria), passou alguns conceitos sobre movimentação no palco durante a dança (por sinal muito interessante) e prosseguiu com o workshop "O estilo de Ariellah". Não participei desse work então vou relatar o que a Gabi me contou (é a Gabriela Miranda mesmo). "Ariellah passou uma coreografia temática sobre um soldado e a guerra, com movimentos fortes e impactantes de grande apelo emocional e psicológico."
O segundo workshop da Morgana foi de deixar a língua para fora, quanta energia!!! De novo ensinou movimentos de Hip Hop em forma de combos unindo todos e formando uma coreografia no final com música Pump It do Black Eyed Peas, me diverti bastante com as meninas da Cia shaman. Finalizamos o evento com workshop "The Artist's"da Ariellah que foi considerado o melhor de todos por muita gente, um work bastante conceitual sobre intenção, foco, criatividade, personalidade e outras cositas más :) Adoro aulas conceituais!

Malinhas no carro e bora pra casa colocar tudo isso em prática!! No geral eu gostei bastante. Já tinha estudado com a Ariellah mas nunca com a Morgana. Senti falta de escutar a voz dela, hehehe, aprendemos bastante (e com um tempo bastante legal já que não tinha tradução) sobre novos movimentos e combos nos works mas senti falta de escutar o seu parecer ou intenção com os movimentos ensinados!

Ansiosa pelo próximo work :)"

Por Yoli Mendez

Yoli Mendez














Ariellah












segunda-feira, 19 de março de 2012

Tribal ou não tribal, eis a questão...

Sinto que estão surgindo cada vez mais dúvidas a respeito do que precisa ou não precisa para dançar tribal e se categorizar dentro do gênero, e gente que quer dançar fusion se sentindo obrigado a fazer aula de ATS, e gente que mal sabe o que é ATS se denominando Tribal Fusion...

A verdade é que todas essas discussões são absolutamente sem objetivo... É tão simples e claro, não existe motivo para argumentações infinitas! ATS é ATS. Tribal Fusion originou-se do ATS, e a parte tribal que tem no "Tribal Fusion" é o tribal do ATS (American TRIBAL Style). Não quer saber nada de ATS? Curte break, fusão contemporânea, fusão indiana, seja lá o que for? Ótimo! Dance e chame de dança do ventre fusão, diga que tem inspirações tribais, fica tudo lindo, tudo é permitido e a vida é bela! Invente um nome pro seu estilo que não envolva tribal! Agora, quer ser profissional de tribal (fusion, gothic, vintage, cabaret, whatever)? É de se esperar que um profissional conheça e pratique, no mínimo, a história e técnica do estilo TRIBAL (novamente, American TRIBAL Style). Você confiaria numa professora de dança do ventre que não conhece o ritmo baladi, ou saidi? Porque confiaria numa professora de tribal que não sabe as técnicas do estilo tribal? Quer apenas dançar Tribal Fusion? Legal, arrume uma boa professora do estilo e toda base que você precisa de TRIBAL (leia-se ATS) estará presente nas suas aulas de Tribal Fusion. Não precisa fazer aula de ATS para dançar Tribal Fusion. Precisa sim, de uma boa professora que saiba quais são as técnicas de TRIBAL e saiba passá-las adiante de maneira didática, para que você tenha a base para depois misturar o que quiser. 

O que eu não entendo é como qualquer um que estuda e gosta, por exemplo, da Rachel Brice, pode não ver semelhança nenhuma do trabalho dela com o ATS. Creio que essa pessoa realmente não conhece muito bem o ATS. Indo mais além, sabemos que no contexto geral o "Tribal Fusion" está tomando rumos cada vez mais doidos e distantes do ATS. Porém, quantas vezes já viram as bailarinas "referência" se auto-rotulando como Tribal Fusion? Sinceramente, nem me lembro da última vez que vi alguma delas se auto-intitulando dessa forma. Então, porque temos a necessidade de nos auto-rotular e, ainda por cima, não ter estilo ou técnica equivalentes ao rótulo auto-imposto? Além disso, para misturar diversas referências e estilos de dança, tem que ter background! Quanto mais se aumenta o leque de fusões, mais chance se tem de dar errado quando as bases não são firmes! 

Só como um parênteses, e para quem ainda acha que ATS é absolutamente dispensável para dançar Tribal Fusion, quando fiz o Teacher Training com a Carolena Nericcio lembro dela contando que um dia viu chegar no estúdio uma menina nova, bonita, se registrando para fazer uma aula de nível 1 de ATS. Quando ela olhou o nome na lista, estava lá, a já famosa Zoe Jakes. Portanto, estudo nunca é demais, e todo mundo tem que começar do começo em algum momento da vida. 

Então, porque pular etapas? Porque não respeitar o diacho do estilo e aprender do jeito certo, para fazer só uma vez? De que adianta anos de estudo para depois descobrir que o que você aprendeu estava longe de ser uma base sólida e suficiente? Vamos respeitar nosso tempo e dinheiro? Vamos respeitar o estilo e suas raízes? Se for para dar nome, vamos dar o nome certo?

Só para acrescentar, reparem nos "títulos" nos sites de algumas bailarinas:

http://www.rachelbrice.com/rb/Welcome.html

http://www.kamiliddle.com/

http://www.sherribellydance.com/

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Bê-a-bá do Tribal Pt.2


Aí vai a segunda e última parte do post!

*ITS - Improvisational Tribal Style (ou estilo tribal de improvisação)

O ITS é um derivado do ATS, e indica simplesmente que um grupo utiliza o sistema de improvisação coordenada em grupo do ATS/ FCBD, porém com repertório de movimentos que vai além, ou até mesmo em direções diferentes do utilizado no ATS. Mesmo sistema de improvisação, repertório de movimentos diferente. Um dos principais exemplos de grupo de ITS que eu conheço é o californiano "Unmata". Elas além de coreografia, trabalham o sistema de improvisação coordenada em grupo por meio de combos.

Unmata - ITS

* Tribal Fusion -
Acredito que esse estilo foi o principal responsável pela propagação mundial do tribal. Ele surgiu quando bailarinas do ATS foram saindo para criar suas próprias estilizações e acrescentar ainda mais fusões ao caldeirão de influências. Não existe uma ordem certa de quem iniciou esse movimento, pois na época não havia nem pretensão e nem consciência de que isso tomaria proporções tão grandes. Apenas aconteceu que, algumas bailarinas/ alunas de Carolena, quiseram se aventurar em suas próprias experiências, dando vazão à criatividade e fazendo uma fusão em cima da fusão. Daí o nome "Tribal Fusion": é o "tribal" do ATS acrescido de fusões do que a imaginação permitir, seja de origem oriental ou ocidental, antiga ou moderna. Algumas das bailarinas apontadas como pioneiras do Tribal Fusion e que estavam na cena desde o começo foram Frederique e Jill Parker, entre outras. Ao contrário do que se imagina, Rachel Brice chegou bem depois na cena, que acontecia quase que exclusivamente na região da baía de São Francisco, CA. Como o Tribal Fusion não tinha um formato específico como o ATS, bailarinas solo surgiram, até que o grupo internacional Belly Dance Superstars incluiu o estilo - até então relativamente novo para o mundo - no show, com a contratação de Rachel Brice. Por fazer turnês mundiais e produzir cds e dvds de alcance internacional, o Belly Dance Superstars lançou o tribal para o mundo, e as bailarinas do grupo, como Rachel Brice, Sharon Kihara e Mardi Love viraram referência instantânea do estilo.

Sharon Kihara - Tribal Fusion

Urban Tribal - Grupo de Tribal Fusion/ Contemporâneo

Do Tribal Fusion, surgiram e ainda surgem muitos sub-gêneros como o Dark Fusion, praticado pela Ariellah, o Tribal Brasil, praticado por várias bailarinas brasileiras que misturam ao Tribal Fusion influências de danças regionais brasileiras, o Tribal Gótico, o tribal com fusão de dança contemporânea, como os grupos Urban Tribal e Uzumé, e assim por diante. Muitas bailarinas criam nomes para seus estilos de tribal, daí vão se criando cada vez mais sub-gêneros... Mas o importante é saber que todos eles vêm da mesma raiz, e são apenas mais um pequeno desdobramento da grande e constante evolução que é o estilo tribal!


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Bê-a-bá do Tribal Pt.1


Com tantos estilos e rótulos é bem fácil confundir-se com as nomenclaturas no tribal! Por isso, coloco aqui os principais nomes que encontramos quando estudamos tribal. Por ser um assunto extenso, vou dividir esse post em duas partes, uma em cada semana. Esta é a primeira:

* Tribal - Genérico assim, sem nenhuma especificação, geralmente faz referência ao Tribal Fusion ou ATS, mas também pode significar uma dessas duas modalidades:

1) Danças de tribos de qualquer parte do mundo;

2) O estilo tribal "original", criado pela Jamila Salimpour e sua trupe Bal Anat nos anos 60, na Califórnia. Caracteriza-se por diversas danças árabes misturadas em um show. Trabalho em grupo e solo, uso de snujs, uso de coreografia e danças folclóricas com um "tchan". Porém, deve-se observar que esse estilo de "tribal" não era assim chamado na época, como escrevi nesse post antigo. De qualquer forma, foi o estilo que deu início ao movimento tribal que temos hoje em dia, pois Jamila deu aulas para Masha Archer, que deu aulas para Carolena Nericcio, que criou o "American Tribal Style", ou "ATS". 

Vídeo do Bal Anat:



*American Tribal Style, ou ATS - 


Esse foi o estilo que surgiu dando início a um movimento, por assim dizer. O ATS nasceu no final dos anos 80 em São Francisco, CA. Quando a trupe de Masha Archer, chamada "San Francisco Classic Dance Troupe", se desfez, Carolena começou a dar aulas para que tivesse parceiras com quem dançar. Suas aulas tornaram-se populares entre as pessoas mais alternativas que queriam fazer dança do ventre mas não se encaixavam nos padrões estéticos ditados pela dança na época. Da sementinha deixada por Masha, Carolena fez uma plantação, e criou o estilo que veio a ser chamado de "ATS". Segundo ela, o "American" do título deixava claro que era uma criação americana, e portanto não oriental, e o "Tribal" descrevia a sensação e estética da dança, com mulheres dançando reunidas, em "tribo", e com uma mistura de trajes autênticos de diversas partes do mundo. O ATS é um estilo de improvisação coordenada em grupo em que, com base em um repertório comum a todas as bailarinas do estilo, cria-se uma dança improvisada por meio de sinais, chamados de "cues". Para dançar ATS precisa-se no mínimo de duas pessoas, e o repertório de movimentos vem principalmente da dança do ventre, mas também tem forte influência do flamenco nos braços e postura, e pitadas de danças folclóricas do Oriente Médio e danças clássicas indianas. O principal exponente do ATS é o grupo da própria Carolena, chamado FatChance BellyDance (FCBD). Para mais informações, acesse o site do FCBD.


Vídeo do FCBD:



Segunda-feira que vem, a continuação do "Bê-a-bá do Tribal":)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Retrospectiva Tribal 2011

Quase acabando o ano, quis relembrar os eventos de tribal de que participei em 2011, e o que teve de mais legal em cada um!

O primeiro foi o Campo das Tribos, em maio, organizado pela Rebeca Piñeiro em São Paulo. O Campo está indo para sua quarta edição em 2012, até então era um evento exclusivamente com bailarinas brasileiras de todo o país, feito por quem é do tribal e para quem é do tribal. Acho que essa é a parte mais legal do Campo, é um evento que abrange as variedades de tribal e dá espaço para todo mundo mostrar seu trabalho nas mostras, independente do estilo. O que importa é ser tribal! E participando esse ano foi exatamente o que eu senti, inclusão e ATS, Tribal Brasil, ITS, Tribal Fusion, Dark, tudo convivendo em harmonia! Em São Paulo é o único evento exclusivamente de tribal que reúne várias professoras e estilos em um só lugar. O Campo também tem workshops, e em 2012 terá a linda presença da Frèderiquè, uma das pioneiras no Tribal Fusion (e das minhas bailarinas preferidas) pela primeira vez no Brasil, junto com a Kilma Farias e comigo em works e show. Mal posso esperar! :D

Mas, como é hora de olhar para trás e não para frente, volto ao segundo evento de que participei esse ano, o Tribes Brasil, com a presença da Ariellah. O Tribes aconteceu em junho e foi organizado pela Nadja El Baladi e pela Jhade Sharif no Rio de Janeiro. O Tribes é outro evento que eu curto muito, participei em 2009 e novamente esse ano. O local é super especial, um colégião antigo e lindo com direito a um teatro igualmente lindo. O evento esse ano foi mais voltado para a estética Dark Fusion da Ariellah no espetáculo e nos works. Mas o que mais me chamou atenção foi o teor dos workshops da Ariellah, todos com muita ênfase em expressão e aspectos mais conceituais da dança, incluindo várias partes teóricas e espaço para troca de idéias. Já havia feito outros workshops com ela, no Tribal Fest 08 na Califórnia e aqui no Brasil no Encontro Internacional Bele Fusco, e embora aqui no Brasil ela tenha dado um work praticamente todo teórico, todos os demais foram bem técnicos. Outra ênfase dela foi na importância do estudo de ballet e outras danças na formação de uma bailarina que sabe utilizar espaços, padrões de pés, giros e tudo que faz parte de qualquer estilo de dança. Ou seja, a era das bailarinas de tribal que só ficam plantadas no palco fazendo carão está definitivamente terminada! rsrsrs

O evento seguinte de que participei esse ano foi o já tradicional Encontro Internacional Bele Fusco, com a presença da bailarina de DV Sonia Ochoa e da tribal Kami Liddle em setembro. A surpresa foi o enfoque nas fusões justamente por parte da Sonia, que deu nos workshops fusões latina e indiana, além de técnicas para dançar solos de derbak. Ela é uma bailarina de elegância e leveza notáveis, e como professora e pessoa, super doce e acessível. A Kami focou mais em técnicas elaboradas que se tornaram sua marca registrada, com sobreposição dos movimentos (layering) e uso dos braços com fluidez, além de sequências coreográficas. Achei todo o trabalho dela de leitura musical e composição dos movimentos incrivelmente sofisticado e peculiar; já havia feito um work com ela no Tribal Fest 08 mas com tanta gente e tão pouco tempo de aula, mal pude sentir como era seu estilo. Dessa vez com mais contato pude perceber todo detalhe e cuidado na elaboração da dança. Achei inspirador!

O último evento da minha pequena maratona desse ano foi o Shaman's Fest em setembro com a Mira Betz em Rio Claro, organizado pela Paula Braz e pela Cia Xamã. Esse evento foi bem único e especial. Novamente, o destaque foram as aulas mega conceituais da Mira. Nunca havia estudado com ela, e exatamente como todo mundo diz, ela é uma professora excelente. Mira não te ensina passos. Ela te ensina a criar passos. Mira não te ensina como dançar tribal, ela te ensina o que é tribal. Ela te ensina técnicas, como sustentar sua postura, como manter seu corpo seguro dançando. Além disso, muitos treinos com técnicas teatrais, muita teoria, muita conversa. Muito bom. No meio do mato então, foi uma lavada na alma essa imersão. Muito espaço para reflexões e questionamentos sobre seus caminhos na dança. 

Para mim, o que ficou mais marcado nos eventos nacionais e internacionais desse ano foi o fim das ditaduras de estilo, de receber pronto, de copiar. Já pensava e pregava essas  questões há um bom tempo, mas foi um belo reforço e uma bela mostra de todas as ferramentas que podemos utilizar para colocar  essas questões em prática. O tribal está mudando, ganhando cada vez mais espaço e respeito como uma dança legítima, como uma forma de arte legítima. E cabe a nós, bailarinas e estudantes, a responsabilidade de mantê-lo bonito e florindo cada vez mais!

Tenham um lindo 2012 com muita dança e alimento para alma! :D



*Em janeiro, pequeno preview dos eventos de 2012!


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A "filosofia" do Tribal

Tem uma parte que eu gosto muito no tribal, que é a idéia que existe por trás do estilo. A proposta do tribal, a princípio, é a de reunir um grupo de mulheres para dançar e permitir que elas tenham um mesmo vocabulário de passos e possam dançar juntas e se divertirem até mesmo sem se conhecerem. Essa é a premissa do American Tribal Style (ATS), estilo que se desdobrou e teve um monte de crias, inclusive o Tribal Fusion. Junto com essa idéia, surgiram outras, como a de expandir a dança do ventre para além dos meios em que ela circulava, basicamente de bares e restaurantes. O tribal, por ser uma dança em grupo, era mais apropriada para ser apresentada em palcos grandes, teatros e afins, o que abria o leque de locais e público. Além disso, também existia a vontade de passar outra mensagem com o tribal, diferente da dança do ventre, e que também é muito responsável pela caracterização do estilo.

Esse grupo de mulheres dançando juntas não dança para agradar a ninguém, nem para exibir seu charme. Elas dançam para si mesmas, umas pras outras, sem se preocupar se são magras ou bonitas para os padrões da sociedade. É uma maneira de celebrar o fato de serem mulheres e confraternizar. Elas vêm em grupos, poderosas, e não sozinhas como as bailarinas de dv. Por esse motivo, a dança do ventre tribal acabou atraindo um novo grupo de mulheres que muitas vezes nem pensaria em fazer dv tradicional. Daí vem o fato de ter muito mais "gordinhas" do que na dança do ventre, muito mais tatuadas, e por aí vai. Além do mais, pode-se dizer que as roupas permitem muito mais a valorização de diferentes biotipos, não existe nenhuma regra que diz que ela tem que ser de determinada maneira, as possibilidades são inúmeras e não é preciso mostrar nenhuma parte do corpo se essa não for a vontade da bailarina. Por isso é que os grupos de tribal nos passam aquela impressão de imponência, de "sim, nós somos demais!"

Daí, é impossível não sentir que esse aspecto do estilo fica bem enfraquecido na modalidade solo. O próprio nome é contraditório: tribal solo. Não existe tribo de um. Mas o fato é que apareceram bailarinas solo que usavam as mesmas roupas e a mesma técnica dos grupos, caracterizando-as, por mais que parecesse contraditório, como tribal. E o engraçado é que essas bailarinas, ainda que sozinhas, passam a mesma impressão de "eu não tô nem aí pro que você pensa" dos grupos. E é aí que entra a parte filosófica da coisa: a idéia está lá, aquela é a semente, por mais que se dance sozinha, sabe-se qual é a origem de tudo e existe a preocupação de preservar a idéia inicial.
Eu senti uma diferença imensa de atitude na primeira vez que vi uma bailarina de tribal, por mais que ela dançasse sozinha, existia alguma coisa ali que a tornava muito diferente de todas as outras que eu já tinha visto até então. E eu acredito muito que esse algo a mais não eram apensa passos ou técnicas.

Escrito em 2007

Veja do que estou falando, e sinta-se á vontade para discordar:

ATS


Tribal Fusion

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ribeirão e afins

Nesse fim de semana estive em Ribeirão Preto com o workshop "Tribal Aplicado à Dança do Ventre", organizado pela Rossana Mello, do Espaço La Luna. Gostaria de agradecer a Rossana, a Mariana e a Larissa por toda a atenção e carinho, foi tudo tão gostoso! É muito bom trabalhar com pessoas sérias e com amor pela arte, se todo mundo fosse assim no meio da dança, certamente estaríamos bem melhor encaminhadas :) Para quem quiser conhecer, o Espaço La Luna fica na Rua Lafaiete e é super inspirador!

Fora os agradecimentos, esse tema é sempre legal de explorar, pois sempre gera perguntas interessantes e permite que a gente desmistifique um pouquinho o tribal, mudando certos conceitos errôneos que ainda são super comuns... Além disso, adoro pensar num caminho inverso do tribal inspirar a dança do ventre, já que o oposto acontece o tempo todo. Acho que o tribal tem a acrescentar para as bailarinas de dv no sentido de enraizar mais, trabalhar mais o ventre propriamente dito e voltar um pouquinho às origens de dançar com pé no chão, lembrando um pouco de porque dança do ventre é chamada de, hum... do ventre! Sem contar na parte conceitual que muitas vezes acompanha as performances de tribal, permitindo que a gente busque além do óbvio pelas nossas inspirações. É muito bom ver o interesse das meninas e ir aos pouquinhos aumentando o alcance e o entendimento do estilo tribal. São oportunidades assim que fazem todo o resto valer a pena!

Muito obrigada meninas!










*O blog está devidamente decorado para o Natal, antes de ganhar sua "cara" nova para o ano que vem!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

The Lady Fred pt. 2

Bom, como faz um tempinho que não publico nada, vou retomar o assunto do último post: a bailarina Frédérique, ou The Lady Fred. Dessa vez, com novidades! :D Frédérique estará no Brasil ano que vem, no festival Campo das Tribos, organizado pela Rebeca Piñeiro. É no primeiro fim de semana de maio (05 e 06) e as inscrições já podem ser feitas pelo email: campodastribos@gmail.com. Corra pois as vagas são limitadíssimas! Pra ir fazendo o aquecimento, a tradução da biografia dela que acabei de terminar, a versão original vocês encontram no site:

Frédérique (Lady Fred) é uma bailarina internacional de dança do ventre avant-garde teatral. É artista, performer, instrutora, pioneira e criadora do “Silent Sirens Theatre” e do “Black Heart Ballads”.

Fred nasceu em Beirute, no Líbano, e possui descendência síria, armênia, francesa e italiana. Começou a estudar o Estilo Tribal Americano (ATS) em fevereiro de 1997 com Amy “Luna” e pouco tempo depois com a diretora Jill Parker, com quem ficou até dezembro de 1999 quando saiu em busca de criar algo novo.

Com nada a perder, Fred estabeleceu-se por sua originalidade ao integrar o estilo de vida underground urbano  à dança do ventre tribal.  Após uma jornada de mais de uma década de experiência e autoconhecimento, Fred surpreendentemente nunca mais treinou com outros professores. Fora o treinamento em ATS que recebeu de Luna e Jill, seus movimentos e estilo de dança são desenvolvidos por ela mesma e extremamente pessoais e autênticos. No entanto, é à sua base em ATS que credita sua excelente capacidade de improviso. Fred é reconhecida por seu estilo teatral avant-garde e  responsável pela introdução de novos estilos musicais no tribal (dnb / dubstep / música clássica / trilhas sonoras), começando em 2000. Com sua habilidade em edição de som, continua ampliando os limites em suas mixagens para o palco e elevando os padrões de performance da dança do ventre tribal.  Fred também foi uma das pioneiras a utilizar influências vintage  e acessórios antigos como complementos do vestuário tribal, tendência que veio a tornar-se "coringa" nos trajes de tribal fusion atuais.

As performances de Fred são baseadas em narrações teatrais por vinhetas e causam profundo interesse no público, bem como motivam suas companheiras de trabalho. Sua didática voltada para os detalhes enfatiza a técnica dos movimentos enquanto explica o "porquê" por trás do que ensina, promovendo a individualidade do aluno e definindo suas paixões por meio do movimento. Esse método lhe rendeu oportunidades de ensinar em seu país e internacionalmente, inspirando a geração atual e futura de dançarinas a explorar suas habilidades artísticas e expressarem-se pelo movimento.
Essa inovação vem de seu forte impulso criativo, o que a permitiu realizar e satisfazer completamente sua visão artística. 


Além disso, uma entrevista em vídeo com 17 minutos em que dá pra ter uma idéia da pessoa incrível que ela é: http://theladyfred.wordpress.com/true-colors-tv-interview/ (desculpem, apenas em inglês! :P)


Enjoy!

terça-feira, 12 de julho de 2011

The Lady Fred

Estou para postar essa tradução há décadas, e finalmente terminei! Entrevista feita com a bailarina Frédérique sobre a relação (ou falta de! rs) do estilo dela com o burlesco, achei muito legal e esclarecedora por isso quis compartilhar. A original está no site dela pra quem quiser visitar tem muito mais coisas lá também. Seguido da entrevista o vídeo mais recente dela no Tribal Massive, do qual sou suspeita para falar já que sou super fã dela. A expressividade e sutileza de movimento dela me interessam extremamente! Espero que gostem!

Entrevista da "Russian Magazine" 
Por: Nadia Gativa
Qual a diferença do seu estilo para o burlesco e porque as pessoas os confundem?

Para ser sincera, eu não faço idéia do motivo da confusão! Eu acho curioso as pessoas se referirem ao meu estilo como burlesco, meu estilo não é nem um pouco sugestivo. Talvez minha presença teatral no palco seja o motivo da associação, pois o burlesco também é muito teatral, mais ainda que minhas performaces. Outra razão poderia ser que eu me apresento com frequência em eventos de burlesco (?) Talvez as pessoas se confundam e acreditam que eu estou dançando burlesco no evento em vez de saberem que represento um outro estilo, uma variedade do show, com a dança do ventre. Esses são meus palpites... Uma vez fui entrevistada para um artigo na Oakland Magazine e a escritora colocou no título principal que eu era uma bellydancer voluptuosa e sensual com toques gótico e burlesco (ou algo do gênero); reparem que essas palavras não foram de modo algum as que eu utilizei para descrever a mim ou ao meu estilo mas, por alguma razão, continuo encontrando pessoas que supõem isso do meu estilo; talvez seja também por causa dos meus trajes (?) Não só eu nunca fiz aulas de burlesco ou tentei apresentá-lo como também nunca quis retratar nenhum interesse nele em minhas performances, simplesmente não faz parte de mim em relação ao que eu levo para o palco. Não confunda o que eu disse com não gostar de burlesco, eu gosto bastante, apenas não faço!

Você acredita que é possível fazer uma boa fusão de tribal e burlesco, mesmo com o burlesco sendo tão sugestivo às vezes?
Com certeza acredito. Eu não acredito na “caixa” em que algumas pessoas gostam de colocar outras, especialmente quando se trata de arte e expressão. Está tudo nos olhos de quem vê, alguns podem gostar, outros não. É assim que o mundo funciona. Eu acredito que se você tem uma visão, não deve haver nada no caminho que lhe impeça de expressá-la… É uma chance que você aproveita na vida e um arrependimento, creio eu, se você não aproveita. Tudo é possível quando se trata de Arte. 

Qual motivo de tanto interesse em relação a tudo que é retrô, como vaudeville, burlesco e cabaret?
O vaudeville vintage, os movimentos burlesco e/ou cabaret estão relacionados à moda e ao estilo hoje em dia. A comunidade do Tribal Fusion gira em torno dos estilos de vanguarda, já que esse foi o ímpeto para seu surgimento; é jovem em espírito, e com um espírito jovem vem uma mente jovem que gravita em direção às coisas estilosas e modernas.  Fazendo um parelelo entre a história e a evolução dessas tendências do final de 1800 com o movimento Tribal Fusion atual, ambos combinam muito bem.
Por exemplo:
·      Essas performances eram todas realizadas por mulheres a princípio.
·      Dança do ventre, burlesco e vaudeville eram segmentados como shows de variedades e considerados como entretenimento de segunda classe para a sociedade (infelizmente).
·      Performers populares no palco do vaudeville faziam suas interpretações de “dança do ventre”. Esse tipo de performance não era incomum e aponta para raízes de vaudeville nas primeiras formas do burlesco.
·      Uma dançarina do ventre, embora flerte com o sugestivo, está longe de violar qualquer padrão aceito de decência no palco do vaudeville.
Esses são apenas alguns dos motivos fortes pelos quais esses movimentos encontram tanto terreno fértil especialmente na comunidade do Tribal Fusion.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Novidades Tribais

Bom, pra quem ainda não sabe, essa é absolutamente a melhor época do ano para vídeos, o período pós Tribal Fest. O Tribal Fest é o maior festival dedicado ao estilo tribal do mundo, e acontece todo terceiro fim de semana de maio. Coincidentemente, esse ano ele caiu no fim de semana logo depois do Campo das Tribos, um dos maiores festivais dedicados ao tribal aqui no Brasil. :) Pra quem não viu ou não ficou sabendo, vale procurar os vídeos pela net, esse ano o festival contou com bailarinas do Nordeste, Rio e muita variedade! Foi lá também a estréia do meu grupo de ATS, o Pandora! Alguns imprevistos básicos de estréia à parte, correu tudo suavemente e com diversão, o que é o mais importante! Aí vai o vídeo. Bailarinas: Anna Pereira, Ana Lua, Yoli Mendes, Dayene Carvalho, Gabriela Miranda e Mariana Quadros.


Bom, voltando ao assunto do Tribal Fest, geralmente depois do seu acontecimento temos um panorama legal do que está rolando no mundo tribal gringo. Como todo mundo costuma preparar algo especial para o evento, e a maior parte dos grandes nomes do tribal estão lá, dá pra ter uma boa noção do que está "em voga" no tribal atual! Ainda não me empolguei muito com o que vi, não curti tanto algumas das minhas favoritas do ano passado, mas ainda falta muita coisa para ser postada... De qualquer forma, esse é o meu preferido dos que vi até agora:

Achei lindissíssímo esse duo meio dança contemporânea da Tjarda (Uzumee) e da Samantha Emmanuel:


Para finalizar, surpreendentemente os vídeos do TF esse ano também coincidiram com o surgimento dos vídeos de outro mega evento americano: o Tribal Massive em Las Vegas. O Tribal Massive parece que tem como proposta oferecer workshops e um show super bem produzido de bellydance, tribal e afins, e o resultado é admirável. Os vídeos que estão surgindo acabam deixando os do TF pobrinhos em comparação, já que os do Tribal Massive contam com a mega produção do evento. Enfim, os vídeos estão arrasadores na minha modesta opinião. Acabei passando uma tarde inteira vendo as novidades! Meus preferidos vão a seguir, com exceção da Frederique a quem vou dedicar um post inteiro em breve! rsrs

A Rachel dançando essa música é o que há, e essa coreografia do Indigo é provavelmente a minha favorita do grupo:


Também amei esse duo do Unmata, até me lembrou um pouco o outro que postei antes, no conceito e feeling geral da coreografia. O Unmata geralmente tem umas coisas mais rápidas e power então curti muito essa suavizada, sem deixar de lado a força característica do trabalho delas; tem coisas do Unmata que eu assisto inúmeras vezes sem cansar, essa coreografia é uma delas!


Amei essa performance, nunca tinha ouvido falar dessa bailarina mas certamente dá vontade de procurar mais coisas dela:


Mira Betz chiquérrima como sempre em uma performance toda conceitual:


Não sou exatamente fã do trabalho dele, mas aqui achei que ele acertou em cheio!



Por fim, a Kami, que por estará no Brasil em setembro no Festival Internacional Bele Fusco. Não curti tanto a parte da segunda música, mas a primeira achei bem lindona!


Obs. Assistam os vídeos direto do youtube para não ficarem cortados e poderem assistir grandão, a maioria dá pra assistir em tela cheia! ;-)



quarta-feira, 30 de março de 2011

Novos Projetos!

Não costumo fazer divulgação de eventos por aqui mas estou com esses dois novos cursos e estou super empolgada com o conteúdo deles!

O primeiro é um curso de curta duração no estúdio da Elis Pinheiro, bailarina que sou fã (:D) em São Paulo. O conteúdo será "Tribal aplicado à Dança do Ventre" e o curso se inicia no dia 11 abril e tem término no dia 27 de junho. Estou planejando muitas coisas legais pra esse curso! Bailarinas de tribal são bem-vindas, e podem esperar um conteúdo com foco maior na técnica, musicalidade e qualidade de performance! Informações completas com a Elis no email: elispinheiro.estudio@gmail.com.




































O segundo é um workshop de ATS em São Paulo, o primeiro em sampa desde que tirei o certificado de professora e o Sister Studio do Fat Chance. Estou empolgada pra começar a espalhar mais ainda esse estilo, tenho me divertido pencas desde que comecei a ensiná-lo em aulas! :D Vai ser num espaço super lindo na Vila Madalena! Informações no meu email: nanaquadros@hotmail.com. Espero vocês!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Autodidatismo, profissionalização e afins


Trago hoje um assunto que me intriga bastante no estilo tribal. Porque cargas d'água algumas pessoas parecem achar que podem tornar-se profissionais de tribal sem sequer ter feito aulas no estilo? Ok, tem gente que acha que tribal é só dança do ventre metida a besta. Portanto, se a pessoa em questão fez aulas de dança do ventre, acredita que pode sair dançando tribal e dando aulas, afinal, é só estilizar um pouquinho né? Porque então tantas pessoas juntam seus trocados para fazer workshops com as tribais que vêm de fora, ou mais ainda, indo para fora para fazer aula, ou mesmo fazendo aula com as profissionais realmente  especializadas daqui do Brasil? Mera perda de tempo né?

O que acaba acontecendo é o que todos já viram: perda na qualidade e moral do tribal pelo Brasil afora. Juro que escapa ao meu poder de compreensão como pessoas que não fizeram sequer uma aula ou um workshop de tribal podem ser "profissionais" no estilo. No tribal, mais do que em outras danças, parece existir também um número enorme de autodidatas coisa que para mim, sinceramente, é história da carochinha. Aprendeu com dvd e nunca teve ninguém para te corrigir? Primeiro, você não é autodidata porque tinha alguma profissional te ensinando, ainda que por dvd. Segundo, as chances da sua execução técnica ser incorreta e cheia de vícios são grandes, sem ninguém para apontar o que você está fazendo de certo ou de errado. Os dvds são uma ferramenta de estudo realmente excelente quando bem utilizados. O ideal é sempre ter alguém capacitado para dar uma força e verificar se a sua execução está correta, especialmente quando se está em início de aprendizado. De qualquer forma, os dvds devem ser sempre uma complementação ao seu estudo e nunca sua fonte principal. 

O tribal possui técnicas específicas - como qualquer outra dança - que constituem a base do estilo. Uma vez que essas técnicas passam a fazer parte da sua memória muscular, você pode inventar sua própria interpretação para ele. Uma boa profissional deve ser capaz de te dar essa base para que depois você saia "inventando" à sua maneira. Percebo que cada vez mais existem bons profissionais surgindo no Brasil. Mas, como não poderia deixar de ser, os maus profissionais continuarão existindo. Por isso, cabe a nós, profissionais, admiradores e estudantes, manter os olhos abertos e não dar moral para quem não é sério. E lembrar que para se profissionalizar em qualquer dança é SEMPRE necessário ter currículo ou formação específica ;)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Não se perca no caminho!


Queria falar de um "fenômeno" no tribal fusion que aconteceu comigo e que, quando parei para observar, percebi acontecendo com muitas pessoas. O nosso estilo é super livre, certo? Podemos usar a roupa que quisermos, a inspiração que quisermos, a música que quisermos, certo? (salvo pequenas restrições - que parecem se tornar cada vez menores). Então, justamente, acho que tanta liberdade de escolha às vezes pode atrapalhar. Deixe-me explicar: quando eu comecei a dançar, há 6 anos atrás, o tribal fusion era uma coisa. Hoje, apenas alguns anos depois, ele é totalmente diferente! Quer dizer, quando comecei a me acostumar ao estilo, ele já tinha mudado completamente. Como é uma modalidade que está em constante evolução, às vezes ficamos meio para trás com tantas mudanças. Por muitas vezes me senti assoberbada com a quantidade de interpretações possíveis para um mesmo estilo, e perdi o rumo. Esqueci o que eu queria para mim da dança, esqueci para onde eu estava indo. Na "minha época" o moderno, a "última tendência" era usar música eletrônica, misturar sintético com natural, plástico com prata tribal. Hoje, o hot do momento é comprar peças vintage e dançar música árabe. Vai vendo... Precisa ter muito bem definido para si o que VOCÊ quer de tudo isso, o que realmente fala mais alto com você, para que não acabe se "perdendo" de certa forma. Sei que isso tudo pode parecer muito severo e calculista da minha parte, mas veja lá, para mim a dança é uma busca eterna. Estou sempre atrás de um objetivo, buscando atingir alguma coisa em termos estilísticos e técnicos. Por isso, para mim se torna complicado quando a referência vive mudando a todo momento. E foi exatamente isso que eu acabei notando em alguns casos. São tantas as possibilidades que a pessoa se perde e não faz nada de concreto. Um dia está brincando com temas balkan, noutro dia querendo ser vintage, noutro gótica... E não se pode fazer tudo isso e divertir-se pencas? Opa, sem dúvida alguma! Se for isso que fala no seu coração, experimente e divirta-se! Mas, quando se trata somente de fazer por fazer, de dançar por dançar, então eu não concordo muito não. Nesse caso, acho que realmente devemos olhar pro começo e entender o que foi que nos atraiu, onde queríamos chegar com aquilo. Para mim, o momento em que consegui fazer essa retrospectiva representou um grande insight. Como se, de repente, tudo se esclarecesse e eu lembrasse novamente o porque eu comecei. Talvez eu não tenha conseguido ser muito clara, mas espero ter dado ao menos uma idéia do que eu quis dizer com esse post!

Acho que o que eu realmente quis dizer enrolando em todas essas linhas foi: não tente seguir a moda do tribal fusion. Não pule a cada nova tendência como  se você precisasse daquilo para ainda se enquadrar no estilo, isso não é verdade, e qualquer um que te diga o contrário está redondamente enganado. Siga seu próprio tempo, seu próprio feeling. Permita-se esperar o tempo passar e assimilar somente o que realmente tem a ver com você em meio a cada turbilhão de novas tendências. E lembre-se sempre do que te fez começar.

Obrigada muito muito por acompanharem o blog e pela paciência!

Abraços!

Mariana

Desenho por Aline Oliveira

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Aprender a fazer nada

Mais ou menos como uma seqüência do último texto que postei, continuo pensando nessa questão de dançar de maneira simples e bonita, tenho treinado muito para aprender a não fazer "nada"!  Mas como assim, não fazer nada? Assim, treinar o corpo para dançar de uma maneira que seja orgânica, que não seja mera junção de um passo no outro... De maneira que venha naturalmente. Manja aquela frase do Pierre Dulaine, em que ele diz que "a dança é o que está entre os passos"? Mais ou menos isso. Quando me lembro do que me atraiu no tribal desde o começo, lembro de o quanto isso me encantava, essa fluidez, essa coisa orgânica, meio imperfeita. Na época eu não me dava conta do quanto isso me agradava, mas hoje eu percebo e me faz entender porque as coisas antigas de tribal fusion ainda serem as que mais me encantam, com algumas exceções. Devo confessar que essa minha "descoberta"não é antiga, pelo contrário, é recente. Por conta dela, estou redescobrindo muitas coisas, e até enxergando outras de maneira bem diferente. Talvez seja só uma fase... Mas está me fazendo rever vários conceitos e experimentar várias coisas de um jeito que há muito tempo eu não fazia!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Mantendo contato

Pra não passar a segundona em branco, um pouquinho de inspiração!

Adoro essa foto, evolução do tribal total! Carolena, Jill e Rachel, só faltava a Jamila pra completar...

E mais alguém tem achado essa mulher uma deusa ultimamente?