A mente é corrente. É fluxo, aprisiona e liberta. Corrente de rio, fluxo de água, a mente não cessa, cachoeira e prisão. A mente é corrente, corrente de rio, corrente de ferro, de aço que não dá pra quebrar, não enferruja, trilho de trem. Corrente sem ferrugem, corrente com ferrugem, e se saísse duas vezes repetido o que que tem? A mente é caminho, a mente é domada, ou não. A mente não mente e a gente mente. O ego mente, a mente não mente, mente é espelho convexo.
quarta-feira, 20 de abril de 2022
quarta-feira, 13 de abril de 2022
Drill, Drill, Drill
Certo! Estamos de volta essa semana com um assunto que muito me interessa, que é o fundamento absoluto da minha prática pessoal e eu tenho certeza que foi uma das coisas que mais me ajudou a alcançar qualquer coisa que eu tenha de bom na minha dança tecnicamente falando: o Drill!
Mas o que é isso? Uma palavrinha danada, que nunca achei tradução adequada em português, basicamente significa treino. Mas não é qualquer tipo de treino. O "drill" (de acordo com o dicionário de Cambridge) é uma "atividade regular: uma atividade que pratica uma determinada habilidade e frequentemente envolve repetir a mesma coisa diversas vezes, especialmente um exercício militar com objetivo de treinar soldados". Então, vê como tem diferença de treino pra drill? O drill é aquela repetição que gente faz a mesma coisa até cansar, até sair, ou até ficar bom naquilo, basicamente.
Eu amo fazer esse tipo de treino e considero ele totalmente necessário para qualquer habilidade em que a gente deseje desenvolver proficiência. E tem a ver também com aprofundar sua habilidade, com tornar o básico extraordinário. Se temos uma execução com erros posturais, de alinhamento, de ritmo, seja lá o que for e ficamos apenas repetindo do mesmo jeito sem corrigir, o treino obviamente não servirá para muita coisa. Mas quando treinamos com repetição para realmente melhorar, olhando com foco para o que está faltando, ou sobrando, isso faz com que elevemos muito a qualidade do nosso movimento.
É também relacionado à paciência de quebrar em pequenas partes para descobrir o que está saindo errado no movimento. Percebo muitas vezes em aula, principalmente com alunas que tem mais anos de prática, que existe uma dificuldade em cultivar a paciência de quebrar um movimento que você já está acostumada a fazer em várias partezinhas menores, em "voltar duas ou três casinhas" de determinado movimento pra avaliar como ele está sendo executado. E isso às vezes é exatamente o que precisa pra você dar aquele passo à frente que tanto almeja. Voltar um pouquinho para então poder progredir. Não se engane: toda bailarina que você admira passa pelos básicos ao longo de sua trajetória, diversas e diversas vezes. O microscópico. Só assim a gente consegue progredir, melhorando ainda mais o que já temos de bom no corpo e juntamente com isso, adquirindo novas habilidades. Se o movimento básico não está ótimo, dificilmente algo mais complexo ficará bom.
Por hoje é só pessoal! Invistam em seus treinos, caprichem sem pressa e os resultados virão com certeza! Um beijo e uma ótima semana pra vocês!
quarta-feira, 6 de abril de 2022
Pagando as conta$ com dança
Esse tema foi sugerido quando abri a caixinha de sugestões no instagram, achei interessante porque não lembro de ter lido nada a respeito, então resolvi dar um tiquinho de atenção pra ele aqui! Afinal, é um trabalho como qualquer outro e quase nunca falamos sobre dinheiro no meio né? Talvez por essa idéia de que quem dança o faz por amor, o que não deixa de ser verdade, mas sabemos que amor não paga boleto né? Então vamos lá! Coisas que talvez ninguém tenha te dito sobre trabalhar com dança:
1- Você precisa entender de onde vai tirar sua renda, provavelmente precisará exercer vários trabalhos pra conseguir juntar as pontas no fim do mês: dar aula de mais de uma modalidade, dançar em restaurante, dar aula particular, em grupo, workshop interestadual, online, editais e projetos… enfim cada profissional terá sua renda vinda de vários lugares e você precisa entender quais são os seus para focar propriamente em cada uma deles.
2- Você terá muitos gastos. Figurinos, roupas e materiais pra aula, anualidade ou mensalidade de aplicativos ou servidores que você usa pra divulgar/realizar seu trabalho, aulas pra se manter atualizado. Quem trabalha com o corpo precisa estar sempre atualizado, literalmente em movimento! Profissionais da dança precisam fazer aulas. Professores também. Pra dar aula, é preciso fazer aulas, se especializar e se atualizar constantemente pra entregar sempre o melhor possível. Isso também representa um gasto.
3- Você vai ser seu treinador, seu marketeiro, seu figurinista, seu coreógrafo, seu organizador, planejador anual, muitas vezes designer, videomaker, fotógrafo, editor… são muitas e muitas funções que temos que exercer porque a maioria de nós é totalmente autônomo. Então quem vai planejar seus novos cursos, montar suas aulas, fazer a divulgação, bolar conteúdo, decidir quando é hora de renovar o guarda-roupa, fazer book novo, decidir quando precisa descansar, quando precisa trabalhar, tudo é você! Tudo mesmo! 😅
4- Por isso mesmo que falei acima, é muito fácil pirar, perder o foco, sair do giro. Então você precisa ter sempre muito claro pra você os seus porquês. Trabalhar com dança é um estilo de vida, e envolve tanto mais do que dançar. O seu dia a dia envolvida com o que gosta é a maior recompensa no final de cada dia. Não se fica milionário, na maioria dos casos. Talvez existam alguns isolados que aconteçam mas não é a realidade da maioria. Nem rico na real! rs. Então o que vale mesmo é como você passa seus dias, e saber exatamente quais são seus maiores prazeres dentro do seu trabalho vai te ajudar a alimentar isso pra que não perca o foco. Talvez seu maior estímulo esteja na prática pessoal e em evoluir cada vez mais. Talvez esteja em ver a evolução das suas alunas. Talvez em subir no palco. Talvez planejar e ministrar aulas e cursos. Claro que cada coisa tem o seu lugar especial, mas se identificarmos o que nos move mais, podemos investir mais nesses pontos e manter mais claro para nós mesmas o que nos trouxe até aqui.
5- Acredito que seja muito difícil construir uma vida “do zero” só com dança. De novo, claro que existem exceções, mas num geral, comprar apartamento, carro, viajar e ter uma qualidade de vida, tudo ao mesmo tempo, não são muito compatíveis com a realidade de quanto se ganha na dança. Especialmente numa economia maravilhosa e estável (só que não) como a do Brasil. Então se você está atrás desses ideais, talvez seja legal repensar suas prioridades.
6- Dito isso, emenda exatamente no que vou dizer agora: ter outro trabalho não significa que você é menos profissional ou menos apaixonado pela dança. Existem muitos artistas que sustentam por anos outros trabalhos pra garantir seu caixa, e não tem absolutamente nada de errado com isso (contanto que você não interfira com o mercado trabalhando de graça ou praticando preços injustos).
Espero ter ajudado a clarear alguns pontos sobre esse assunto, e como sempre, aceito sugestões de temas futuros!
Muito obrigada por me acompanhar e até a próxima!