sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Novidades do Tribal Fest 2010


Todo ano o Tribal Fest serve como "apontador de tendências" para o tribal. Por ser o maior festival do gênero, muitas coisas se reúnem em um lugar só, permitindo que a gente tenha uma visão global do que acontece na cena. Esse ano, teve duas coisas que me chamaram mais atenção xeretando no site.

Esses textos que traduzi e coloco a seguir estão na descrição de aulas do primeiro dia, pra quem quiser dar uma olhada: http://www.blacksheepbellydance.com/tf10/wed.html

A primeira é uma aula que será dada pela Rachel Brice intitulada "Misturando Tribal com Cabaret*: Combinações e Treinos". Notem que esse 'cabaret' não é o estilo ao qual nos referimos quando falamos em cabaret por aqui. Cabaret pra eles é o estilo de dança do ventre tradicional ou, como dizemos por aqui, clássica.

Aí vai a descrição da aula:

Neste workshop aprenderemos combinações de Cabaret que possuem estética predominantemente tribal. Faremos o aquecimento e o relaxamento com sequências de Viniyoga e iniciaremos a parte de dança com treinos energéticos.

E o que eu achei mais interessante, uma nota da Kajira sinalizada pelo asterisco ao lado de 'cabaret':

*Nota da Kajira: a fusão desses dois estilos originais foi a primeira variação completamente diferente que surgiu depois do ATS. Era chamado de “Tribaret” em menção à combinação de estilos. Depois, essa denominação virou “Tribal Fusion”. Eu considero isso como um “estilo raiz” e esse é o motivo pelo qual estou permitindo uma aula de “cabaret” no Tribal Fest. Como professora, aluna e historiadora de todos os aspectos do tribal, eu acredito que essa exceção à nossa regra de “sem cabaret” é válida.

O Tribal Fest é conhecido por ter uma política bem clara de "no cabaret", ou seja, se você faz dança do ventre tradicional com música árabe e traje tradicional, não passe nem perto do palco! Na programação dos workshops também não entra nada de dança do ventre tradicional. Por isso achei interessante tanto o tema do work quanto a subsequente nota da diretora. Isso nos leva à uma talvez reveladora realidade: o tribal fusion é sim dança do ventre! É uma mistura de ATS com dança do ventre tradicional, está aí, dito pela Kajira! Os breaks, poppings e modernos da vida surgiram como consequência disso. Não é a toa que enxergamos cada vez menos tribal no fusion, e agora percebo que não adianta lutar contra, estava escrito nas estrelas! Enfim, imagino se é algo nesse estilo que será ensinado:

video


A outra coisa que me chamou atenção foi a descrição do workshop/intensivo da Sharon Kihara:

Kokoro no Butoh

Kokoro é a palavra em japonês para coração (ou centro), e Butoh é a palavra formal em japonês para dança. Essencialmente, exploraremos essa forma de fusão japonesa.

O primeiro dia será uma combinação de treinos, equilíbrio, força lenta e “dança do rosto”, bem como menções às técnicas de Tatsumi Hijikata, o criador da forma de arte conhecida hoje como Butoh. A abordagem de Hijikata envolve pegar conceitos e internalizá-los por meio da visualização, integrando-os ao sistema nervoso. Assim, é possível transmitir emoções complexas e tabus por meio da expressão física e da energia pura e crua. Essa aula desafiará o aluno a se sujeitar a remover sua própria pele metaforicamente para acessar níveis mais profundos de coragem e comunicação por meio da dança. Exercícios em grupo e individuais serão dados para criar uma base profunda e pessoal ou história na qual trabalhar.

Esse intensivo de 8 horas é baseado nos meus estudos de Butoh em Berlim e em como transformaram meu conceito pessoal de dança e performance de maneira surpreendente. Têm sido liberador, terapêutico e me inspirou a olhar nos lugares onde tenho medo – geralmente onde estão as sementes para as melhores criações.



Quem assistiu a apresentação dela no Tribal y Fusion do ano passado talvez consiga ter uma idéia do que ela está falando...De onde surgiu aquela segunda entrada avassaladora (na minha modesta opinião)? Aí está a resposta! Como não temos vídeo daquela apresentação, aí vai um vídeo do youtube de até onde pude compreender, um dos maiores grupos de Butoh do Japão:




No youtube tem outros vídeos bem mais legais desse grupo, mas que não permitem incorporação. É só digitar Butoh que vai aparecer um monte de coisas interessantes (e ligeiramente bizarras para nossos padrões!).

Engraçado observar os caminhos que o estilo vai tomando!

2 comentários:

  1. Perturbador e fascinante, esse Butoh. Imagine o efeito que incorporações desse estilo podem causar! Pela descrição do work, vai ser pesado prás bailarinas, porque tem um conteúdo fortemente emocional. Desejo boa sorte a todos os envolvidos rsrsrsrs e fiquei realmente curiosa prá conhecer o resultado dessa integração.

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  2. Ah com certeza, vai ter menina chorando a dar com pau! rsrs

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