quinta-feira, 25 de junho de 2015

Improviso Solo no Tribal Fusion



Existem muitas linhas de raciocínio diferentes sobre o improviso... Para alguns, improvisar é dançar sem pensar, só deixando o corpo seguir a música. Para outros, é ter vários movimentos e sequências na manga para sair usando-os estrategicamente.

Se considerarmos a primeira definição, o improviso é uma dança livre, sem formas pré-definidas, tipo dançar na balada. Você só responde a um estímulo físico gerado pela música, sem pensar a respeito. Na segunda, por outro lado, é quase uma coreografia instantânea, uma vez que a dançarina usa fórmulas que já conhece para responder a música com coerência.

Mas o que exatamente acontece quando uma dançarina leva para o palco um improviso solo? Definitivamente o que vemos não é uma dança "de balada", já que são usados movimentos que correspondem ao estilo de dança que a dançarina representa, nesse caso específico, o Tribal Fusion.  Afinal de contas, que modo mental é esse que permite que você responda a música com naturalidade e ao mesmo tempo não pareça uma doida dançando na balada? 

Para mim, o tal chamado "improviso" - entre aspas porque não sei o quanto pode ser considerado improviso uma música que você já dançou 500 vezes para treinar - é uma fina linha entre o pensar e o não pensar. O agir e o se deixar levar. Na minha concepção, não existe improviso organizado sem alguma racionalização por trás em algum momento. Não é questão de pensar o tempo todo - para mim, o improviso rola fluído quando eu consigo dançar e ser dançada ao mesmo tempo, alternadamente. Quando vejo alguma coisa de que gosto no vídeo assistindo depois e falo "Nossa, eu fiz isso? Não me lembro!". Para mim esse é o sinal de que o improviso foi bem sucedido.

 Daí a importância do treino! De já ter tanta coisa registrada no corpo, que na hora de fazer, vai sair meio que sem ter que pensar. É aí que a gente consegue sentir a música! Não existe tanta diferença entre uma excelente coreografia e um excelente improviso - ambos exigem a mesma presença de espírito, a mesma presença física e mental, o estar ali 100% para o momento. 

Afinal, não existe mística para o improviso, existe treino! Treino porque se fosse só pra sentir, dançava em casa e não no palco! Treino para entrar nesse estado mental tão especial, tão raro, em que o que existe é seu corpo, sua mente e sua música atuando como um só! 

E vocês? Qual sua definição e seus sentimentos em relação ao improviso? 

Beijos e até semana que vem! ;-D

terça-feira, 16 de junho de 2015

Divagações no Youtube!

Ebaaaaa! Para essa postagem de número 90 resolvi fazer um post em vídeo!!! :D

Nele estou falando um pouquinho sobre o que eu penso a respeito do improviso solo no Tribal Fusion (já que no ATS® a gente improvisa mas não existe solo!)

Espero que gostem, e deixe sugestões do que você gostaria de ver em próximos vídeos!

Até mais!


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Dicas para seu treino



Treinar todos os dias com certeza não é nada fácil... No começo é aquela empolgação e até que vai, mas depois de algum tempo - ou pior -  depois que você precisa parar por alguns dias (por causa de doença, viagem, vida, etc) parece que fica mais difícil ainda voltar para os trilhos.

Mas, como a prática leva a mais prática rsrs tem que achar aquela forcinha pra continuar - e lembrar que uma horinha de prática por dia não é nada depois que se habitua, e vai fazer TODA diferença  pra sua dança. Então, mãos à obra!

Sempre gosto de começar com uns 40 minutos de yoga pra preparar o corpo, mas se você não pratica, faça uns bons alongamentos pro corpo todo (depois de estar um pouquinho aquecida já) e manda ver! Essa é uma sugestão de um treino que montei para ser diário há uns dois anos atrás, mas de vez em quando se não estou inspirada recorro à ele para pegar no tranco. Você pode adaptar o número de repetições ou os movimentos a seu critério, só lembre-se de incluir movimentos que trabalhem diversas partes do corpo e não só uma - a não ser que seja essa a sua intenção!

Organize uma (ou mais!) playlist de mais ou menos 12 músicas de que você goste muito e faça os treinos na sequência, sem parar (a não ser que precise descansar ou alongar), mas reserve esse tempo só para isso. Faça seus treinos com bastante consciência na frente do espelho e sempre mantendo a melhor postura e execução possíveis. Aí vai:

60 maia
60 taxeem
40 ondulações de braço
30 sidewinder
60 peito sobe e desce (lock)
60 pelve encaixa e desencaixa (lock)
uma música de shimmie
50 contrações de glúteo
20 quadrados de quadril (10 p/ cada lado)
20 redondos de quadril (10 para cada lado)
- 1 improviso solto numa música
alongamento final e relaxamento

Espero que as dicas ajudem! Bons treinos! ;-D






quarta-feira, 20 de maio de 2015

Be-a-bá do Tribal



Resolvi dar uma revisada nesse texto e postá-lo novamente! Às que estão começando a estudar agora, o be-a-bá do Tribal! O que são todos esses gêneros dentro de um gênero que ainda é tão novo e desconhecido? Vamos lá!

Com tantos estilos e rótulos é bem fácil confundir-se com as nomenclaturas no tribal. Por isso, coloco aqui os principais nomes que encontramos quando estudamos tribal:

*** Tribal - Genérico, assim sem nenhuma especificação, geralmente faz referência ao Tribal Fusion ou ATS® versus a Dança do Ventre, mas também pode significar uma dessas duas danças distintas:

1) Danças de tribos de qualquer parte do mundo

2) O estilo tribal "original" feito pela Jamila Salimpour e sua trupe Bal Anat nso anos 60, na Califórnia. Caracterizava-se por diversas danças árabes tradicionais misturadas em um só show. Trabalho em grupo e solo, uso de snujs, uso de coreografia e danças folclóricas com um "tchan". Porém, deve-se observar que esse estilo de "tribal" demorou para ser chamado assim na época. De qualquer forma, foi o estilo que deu início ao movimento tribal que temos hoje em dia, pois Jamila deu aulas para Masha Archer, que deu aulas para Carolena Nericcio, que criou o ATS®.

*** American Tribal Style® ou ATS® - Esse foi o estilo que surgiu dando início ao restante do movimento tribal. O ATS® nasceu no final dos anos 80 em São Francisco, CA. Quando a trupe de Masha Archer, chamada "San Francisco Classic Dance Troupe" se desfez, Carolena começou a dar aulas para que tivesse parceiras com quem dançar. Suas aulas tornaram-se populares entre as pessoas mais alternativas que queriam fazer dança do ventre mas não se encaixavam nos padrões estéticos ditados pela dança na época. Da sementinha deixada por Masha, Carolena continuou a plantação, e criou o estilo que veio a ser chamado de ATS®. Segundo ela, o "american" do título deixava claro que era uma criação americana, e portanto não oriental, e o "Tribal"descrevia a sensação estética da dança, com mulheres dançando juntas, em tribo, e com uma mistura de trajes autênticos de diversas partes do mundo. O ATS® é um estilo de improvisação coordenada em grupo em que, com base em um repertório comum a todas as bailarinas do estilo, cria-se uma dança improvisada por meio de sinais, chamados de "cues". Para dançar ATS® precisa-se no mínimo de duas pessoas, e o repertório de movimentos vem principalmente da dança do ventre, mas também tem forte influência do flamenco nos braços e postura, e pitadas de danças folclóricas do Oriente Médio e danças clássicas indianas. O principal exponente do ATS® é o grupo da própria Carolena, chamado FatChance BellyDance®, ou abreviado FCBD®. Para mais informações, acesse o site do FCBD.

***ITS - Improvised Tribal Style (ou estilo tribal de improvisação)


O ITS também é um derivado do ATS®, e indica simplesmente que um grupo utiliza o sistema de improvisação coordenada em grupo do ATS®, porém com repertório de movimentos que vai além, ou até mesmo em direções diferentes do utilizado no ATS®. Mesmo sistema de improvisação, repertório de movimentos diferente. Um dos principais exemplos que conheço de ITS é o grupo californiano "Unmata". Elas além de coreografia, trabalham o sistema de improvisação coordenada em grupo por meio de combos. Por sinal, um dos membros do grupo, a fantástica April Rose virá para o Brasil ensinar o sistema de ITS do Unmata no Gothla no Rio de Janeiro, junto com Lady Fred e Ariellah. Coisa boa. 

*** Tribal Fusion -

Acredito que esse estilo foi o principal responsável pela propagação mundial do tribal. Ele surgiu quando bailarinas do ATS® foram saindo para criar suas próprias estilizações e acrescentar ainda mais fusões ao caldeirão de influências. Não existe uma ordem certa de quem iniciou esse movimento, pois na época não havia nem pretensão e nem consciência de que isso tomaria proporções tão grandes. Apenas aconteceu que, algumas bailarinas/alunas de Carolena, quiseram se aventurar em suas próprias experiências, dando vazão à criatividade e fazendo uma fusão em cima da fusão. Daí o nome "Tribal Fusion": é o "tribal" do ATS® acrescido de fusões do que a imaginação permitir, seja de origem oriental ou ocidental, antiga ou moderna. Algumas das bailarinas apontadas como pioneiras do Tribal Fusion e que estavam na cena desde o começo foram Lady Fred e Jill Parker, entre outras. A cena acontecia quase que exclusivamente na região da baía de São Francisco, CA. Como o Tribal Fusion não tinha um formato específico como o ATS®, bailarinas solo surgiram, até que o grupo internacional BellyDance Superstars lançou o tribal para o mundo, e as bailarinas do grupo, como Rachel Brice, Sharon Kihara e Mardi Love viraram referência instantânea do estilo. 

Do Tribal Fusion, surgiram e ainda surgem muitos sub-gêneros como o Dark Fusion, praticado pela Ariellah, o Tribal Brasil, praticado por várias bailarinas brasileiras que misturam ao Tribal Fusion influências de danças regionais brasileiras, como Kilma Farias e Cibelle Souza, o Tribal Gótico, e assim por diante. Muitas bailarinas criam nomes para seus estilos de tribal pessoal, daí vão se criando cada vez mais sub-gêneros... Mas o importante é saber que todos eles vêm da mesma raiz, e são apenas mais um pequeno desdobramento da grande e constante evolução que é o estilo tribal!


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Árvore de natal tribal?


Recentemente dancei num evento que pedia um traje "mais informal'", mais simples... O resultado foi que no meu "simples" de tribal ainda deixei meia dúzia de coisas que tinha planejado usar na bolsa pra mimetizar um pouquinho mais com as outras dançarinas da noite. E fiquei me perguntando: mas por que eu preciso de tudo isso pra dançar? Será porque preciso entrar na persona? Para uma pessoa "introtudo" como eu, que aprendeu a falar em público pra poder dar aula, pensei que sim, claro... Preciso disso pra entrar na persona. Mas daí não, lembrei do porque... Lembrei do ATS, claro! No ATS a gente adorna toda parte do corpo quanto possível. Maquiagem, bindi, acessórios mil, cabeça cheia... Tudo isso pra atração não ser o corpo em si, mas a dança! Adornamos o corpo para revelar a dança. Por isso não consegui ir simplinha demais, faz parte do todo. Faz parte da filosofia por trás do estilo. E esse princípio serve a dança de maneira fantástica. Dá poder! Sem contar a sensação fantástica de se montar inteira  com pecinhas escolhidas a dedo, uma a uma, às vezes feitas por você, às vezes por pessoas de quem você gosta ou admira o trabalho, às vezes por mãos autenticamente tribais... Pra mim, é uma maneira altamente eficaz de manter o feeling tribal. Quero me sentir uma árvore de natal. Gosto disso. Assim eu sei que o público estará tentando desvendar a minha sobreposição de xales com cinto, o meu headpiece, e não se estou usando a última tendência em esmaltes nas unhas. É, acho que é isso! Power to the árvore de natal!!!

*Foto por Maurice Pirotte

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Títulos, certificados e afins



Nessa semana decidi falar sobre um assunto que está na boca do povo: certificações, títulos, enfim, material pra moldura!

Com a passagem "furacônica" de Carolena Nericcio pelo Brasil, volta a ficar na mente esse assunto polêmico: qual o real valor de um certificado e até que ponto ele é indício de qualidade profissional?

O certificado pode representar muitas coisas, ele pode ser começo ou fechamento de ciclo. Para muitas bailarinas que já praticam há muitos anos, e finalmente conseguem um certificado que comprova que sim, ela pagou e fez todas aquelas horas de aula, ganha um ar de fechamento. Mas nunca de fim.

No caso do ATS®, para mim o certificado sempre representa o início de uma nova fase. Com o certificado de professora, ou mais ainda, com o título de SisterStudio®, vem também uma grande responsabilidade. Lembra da frase do Homem-Aranha, "com grande poder vem grande responsabilidade"? Pois é! A partir do momento que se tem o certificado em mãos, tem a comprovação de que foi aceita para ser professora de ATS®, do jeitinho que ele é, honrando a história, a técnica, a filosofia, a estética e as regras do estilo. Se for SisterStudio®, a responsabilidade aumenta mais ainda, pois está tomando para si parte da responsabilidade de propagar o ATS® na sua região - e outras - levando consigo a semente do estilo, para plantar em novos terrenos...

Por isso, a certificação nunca pode ser o fim. É o começo de uma nova fase de estudos, mais intensa ainda, para fazer valer o título - para que se tenha segurança e se faça jus à responsabilidade que lhe é incumbida automaticamente junto com o certificado. Acho importante essa visão de que é um marco numa jornada, numa carreira, mas nunca o destino final. Vai da consciência de cada profissional - e cada aluna ao escolher sua professora - saber quando realmente está preparada para carregar essa responsabilidade com segurança. E respeitar o que está por vir respeitando o que veio antes... Fazemos parte de uma nova história que está sendo criada mundialmente nesse exato momento, e vai de cada um contribuir para ela com beleza e respeito! E parabéns a todas as novas Sisters!!! :-)

Até quarta que vem! ;-)

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Dicas para o dia da sua apresentação tribal


Com tanto agito nesse mês de abril acabei deixando o blog meio de lado, mas agora toda quarta-feira é dia de postagem nova! Hoje resolvi falar sobre uma coisa fundamental na vida de qualquer aluna ou profissional: os preparativos para o dia da performance!

De tanto quebrar a cara e me estressar acabei aprendendo a me preparar para o dia da performance com antecedência, e pensei que essas dicas talvez possam ajudar quem está começando a se apresentar!

Por ser muito rico em detalhes, o traje de tribal dá duas vezes mais trabalho para elaborar e também para se arrumar na hora de dançar. Por isso, pense em todo o seu traje, incluindo maquiagem e acessórios, com antecedência. Mesmo se for uma roupa que você já usou antes, vista ela toda de novo, com acessórios, e veja se precisa de alguma manutenção, algum ajuste, se ainda te veste bem ou precisa de mais algum detalhe.... E não deixe de dançar a música algumas vezes com a roupa para verificar se ela não te atrapalha na hora de fazer algum movimento. Saia que enrosca na perna, calça que prende no dedo, pulseira que engancha... Pode acreditar, já passei por todos esses e mais um pouco! hehehe Não custa nada experimentar tudo antes e dançar sua música para ver se está tudo certo. Afinal, como que você vai experimentar a roupa só na hora de dançar? Pelo tanto de coisa que usamos, o peso do headpiece influencia os movimentos e toda a sua postura, o peso dos braceletes também afeta a movimentação dos braços, muitas vezes, no caso do ATS principalmente, o cinto e as saias são super pesadas e a gente tem que fazer os movimentos com mais vigor para eles aparecerem igual.

No dia da apresentação já é natural ficar com aquela ansiedade, deixar para separar a roupa e experimentar algumas horas antes só piora a situação! Deixe para a hora só montar e se maquiar mesmo. Separe em saquinhos, ou caixinhas, todos os itens de figurino que vai precisar no dia. Assim, na hora de se vestir, você não vai ter que passar 20 minutos procurando o par de brincos que quer usar. Comece a se arrumar com umas 2 horas de antecedência, dependendo de quão elaborada é a sua cabeça e maquiagem, para se arrumar com calma e ter tempo de remediar algum imprevisto de última hora (tipo borrar o olho todo na maquiagem, alguma coisa se soltar na roupa... acredite, acontece de tudo quando estamos com pressa!)

Lembre de levar uma garrafa de água caso não tenha água no camarim. É difícil, mas acontece, e é muito ruim entrar pra dançar com a boca seca!

Se possível, treine um pouco e faça alguns alongamentos em casa no dia que for dançar. Mesmo que a apresentação seja de noite, o corpo e a sua performance vão agradecer a preparação prévia. Antes de entrar no palco, sempre se alongue! Às vezes a adrenalina faz você se sentir que já está aquecido, mas tem que alongar do mesmo jeito!

Separe sua música e leve num ipod ou cd caso dê algum pepino com a sua música na hora. Melhor prevenir do que remediar!

Saia de casa cedo caso não saiba ao certo quanto tempo vai levar para chegar lá. Todo stress que puder evitar vai se refletir no seu estado de espírito ao entrar no palco. Chegar correndo, colocar a roupa com pressa e se jogar pro palco sem se preparar é garantia de frustração!

Se preparar com antecedência é a melhor forma de garantir que no momento de dançar sua mente esteja aonde você quer: na calma da dança, pronta pra entrar em cena e se divertir!

Até quarta que vem! ;-)

*Na foto, eu e Nanda Najla por Reinaldo Nunes nos bastidores do show Sonhos Lúcidos em 2011


quarta-feira, 25 de março de 2015

Estilo Pessoal

Muito se fala sobre ter personalidade na dança, no Tribal Fusion especialmente... Mas do que consiste exatamente essa "personalidade"? Não basta fazer os passos?

Vamos olhar com um pouco mais de atenção para os fatores determinantes na "criação" de um estilo próprio. Alguns deles estão sobre seu controle, como por exemplo o quanto de fusão você quer colocar na dança, quais elementos ou danças quer misturar, o tipo de música que vai usar, o figurino que vai usar, a linha estética que vai seguir... Essas são todas opções pessoais e intransferíveis, podem e devem ter impacto significativo sobre o resultado final do que apresentamos. E também devem levar em conta suas preferências pessoais, os seus gostos, tudo aquilo que faz de você... bem, você!

Outros fatores - que são o foco dessa postagem - estão totalmente fora de seu controle e têm papel tão importante quanto, ou talvez mais importante, do que os citados acima. Qual é seu tipo físico, quão alto ou baixo você é, se tem braços ou mãos pequenos ou grandes, se seu quadril é seu ponto forte, solto e poderoso, ou se é um ponto em que você precisa trabalhar mais, se você se dá melhor dançando música lenta ou rápida, de improviso ou coreografando, ou um misto dos dois, quais movimentos favorecem mais seu corpo, quais ficam mais bonitos em você... Tudo isso tem um peso muito grande na determinação do seu estilo pessoal. E isso só se descobre de uma forma: praticando na frente do espelho, com consistência e dedicação, tentando sempre o SEU melhor, e não partindo de modelos externos de cópia, de fora para dentro, mas sim de dentro para fora. A técnica se torna sua quando você se apropria dela. Isso é que sinto falta em muitas das danças que vejo, e até na minha própria prática, é o que mais busco atualmente... Esse caminho nunca foi tão claro pra mim, e gostaria muito de ver mais dançarinas de Tribal Fusion seguindo por ele... Uma ondulação de braço não passa disso enquanto ela não se torna a SUA ondulação de braço! ;-)

quarta-feira, 11 de março de 2015

Tribal Fest 2006

Hoje resolvi fazer uma retrospectiva, inspirada pelo Artist Challenge no Facebook, e falar um pouquinho sobre um episódio muito importante na minha vida: minha primeira viagem para o Tribal Fest! Foi também minha primeira viagem para fora do país, e a primeira vez que viajei sozinha. Ufa!

Eu já estudava tribal por vídeos e por conta própria fazia 2 anos, acompanhando religiosamente as minhas aulas de dança do ventre semanais com a Jannah El Havanery, minha primeira prof. Daí eu fiquei conhecendo o festival pela internet, e num momento de "vai ou racha", decidi que era hora de conhecer de perto aquele universo do tribal que tanto me fascinava... Os vídeos ainda eram meio raros, youtube ainda não rolava que nem hoje, e ainda era bem difícil ter acesso às informações sobre tribal. Então escolhi os workshops pelas descrições e pela foto dos professores, ainda não conhecia quase ninguém, com exceção, é óbvio da Rachel Brice. Na época o festival também ainda não era a loucura que é atualmente, era bem menos popular...

Combinei tudo pela internet, na época estava a todo vapor um site de relacionamentos chamado Tribe e existiam diversas comunidades onde as pessoas conversavam e realmente trocavam informações diversas sobre tribal, aprendi horrores nesses tempos e passava horas lendo os tópicos das comunidades, sempre ávida por informações vindas de fontes confiáveis. Arranjei duas roomates americanas para dividir as despesas de hotel e carro, e lá fui eu!

Fiquei surpresa com a calma e tranquilidade do evento, coisa que mudou drasticamente em 2008, quando voltei lá. Era tudo muito gostoso, as professoras e bailarinas circulando, sentadas na grama, tomando sol... O evento acontece até hoje num centro comunitário, então são vários espaços e salas ligados por grama e jardins, e um salão principal onde ocorrem os shows e os works maiores. É bem relax o ambiente! Mas o meu primeiro momento de glória nessa viagem foi quando vi a Rachel antes mesmo de chegar ao festival, tomando café no mercado próximo. Quase caí dura, não estava preparada ainda! hahahaha

Fiz workshops com a Rachel, a Jill Parker e a Amy Sigil, além de outras professoras não tão famosas como a Donna Mejia, a Aruna e uma aula fantástica sobre presença de palco com a Mahalia. Na época ainda não eram famosas muitas das famosas que estouraram um pouco depois como a Zoe, a Kami... Elas ainda não eram professoras no festival. Me apaixonei pela Amy Sigil, como todo aquele girl power, aquela aula e dança que eram energia pura! Foi lá que gamei no Unmata! No todo das aulas, foi uma oportunidade muito especial de me certificar de que o que eu conseguia estudar sozinha estava no caminho certo, tanto na teoria, quanto na prática. Isso me trouxe muita tranquilidade, em saber que eu podia continuar segura no meu caminho por aqui.

Outra coisa que foi um ponto alto para mim foi a oportunidade de ver um fim de semana inteiro de performances de tribal, durante dia e noite, e entender que nem só porque vinha de lá, era bom! Como tudo, tinha muita coisa bacana, e muita coisa não. Assisti a Rachel de pertinho, a Asharah, de quem fiquei fã depois de conhecer lá, o Unmata, o Ultra Gypsy (grupo da Jill na época), o extindo Atash Maya da Sabrina Fox e na época da Melodia também e muitas, mas muitas outras coisas! Ah, inclusive meu outro amor, a Frederique, que não deu aula no evento mas participou do show e eu vi de perto também! Sem falar na feira de tribal cheia daquelas coisas maravilhosas e até então inacessíveis, muita emoção! rsrsrs

Com exceção de um vôo de volta perdido por conta de um passeio muito demorado em São Francisco, cidade próxima do TF, que é em Sebastopol, foi tudo maravilhoso e uma oportunidade única!!! Foram muitas emoções pra uma só viagem! Levo no coração esse primeiro contato ao vivo com o tribal na gringa, e foi o start de muitas coisas que vieram depois! Mais pra frente eu conto sobre a segunda ida ao Tribal Fest dois anos depois e todas as mudanças que aconteceram! ;-)

 Com a Rachel depois do work e meu cabelo água de salsicha.
 Com a Jill Parker depois do work
 Com a Amy Sigil
 Minhas roomates Naxi e Shara!
O passeio que rendeu uma visita à Golden Gate e um vôo de volta pra casa perdido! Valeu a pena! ;-)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Performance X Roupa

Lendo uma matéria sobre figurinos, comecei a pensar nos trajes no Tribal Fusion. É indiscutível que a nossa dança (assim como qualquer outra) é uma arte visual e, como tal,  tem um apelo estético muito forte, a roupa se torna parte indispensável da performance. Mas e quando a roupa é tão, mas tão incrível que chama mais atenção do que a dança em si? Devo confessar que já me peguei assistindo vídeos em que a graça estava mais na produção do que na dança. E eu nunca tinha me dado conta desse fato antes! Geralmente, quando a maior parte dos elogios vai para sua roupa, é porque foi o que mais marcou na apresentação.
Quando dançamos, tem uma mistura de fatores que fazem com que alguém goste ou não do que estamos fazendo. É uma quantidade grande de informação sendo transmitida em alguns poucos minutos. Vejamos: música (ou mix musical se tiver mais que uma),  imagem, a dança, a atmosfera geral da performance, a expressão... É uma quantidade considerável de informação para se absorver. Às vezes, é difícil perceber o que foi que realmente tocou. Por isso acontece muito de se uma bailarina tem apelo visual super forte, agrada muito mais facilmente. Muitas vezes quem assiste não sabe se o que foi bom foi a dança, a atmosfera geral, ou simplesmente algo que foi muito agradável aos olhos por alguns minutos. É claro que é muito importante que tenhamos uma imagem que seja harmoniosa. Mas,  se ao final de uma apresentação, todo mundo comentar apenas sobre a minha roupa, eu vou achar que deu alguma coisa muito errada dessa vez... A roupa deve servir a dança, e não o contrário! Então, por mais que seja importante termos uma boa imagem, um traje bem elaborado, com aparência profissional, que nos valorize e valorize a nossa dança da melhor maneira possível, não queremos trajes que falem por si só, e sim trajes que precisem de nós para se comunicarem!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Artista ou Artesão?

Há muitos anos que eu queimo os miolos pensando na questão do estilo próprio. Para mim é uma das questões  mais profundas no Tribal Fusion, que é por si uma modalidade que abraça infinitas variáveis de estilo. Mas, por trás de todas essas variáveis de fusão (indiana, moderna, jazz, etc.), existe ainda um fator mais profundo que é o motor da dança em si. Como o SEU corpo se move? Como ELE e SÓ ELE executa esses movimentos, sejam eles de Tribal Fusion, dança indiana, ATS ou seja lá o que for?

Alguns meses atrás eu tive um grande insight sobre esse assunto ao assistir um documentário italiano chamado "Cinema feito à mão", sobre os ateliês na Itália que fabricam os figurinos e cenários dos filmes de Hollywood. O documentário é muito bom e recomendo para quem gosta de cinema! Porém o que realmente me marcou foi uma das entrevistas, com um exímio escultor que fazia cenários. O trabalho dele era absolutamente perfeito. Quando indagado pelo entrevistador sobre sua arte, ele respondeu: "Sou um artesão, não um artista. Artista é quem inventa, cria". Para mim essa noção foi um divisor de águas sobre o assunto. É simples e óbvio assim, só que eu nunca tinha conseguido concretizar de forma tão clara: o artesão pode até fazer tudo, ser o melhor, mas artista é quem cria.
A técnica não faz de ninguém artista. Dançar não faz de ninguém artista. Artista é quem cria, vai além da reprodução. Reproduzir as técnicas de uma determinada dança não representa trabalho artístico se não houver apropriação delas. Enquanto a técnica não se torna verdadeiramente sua, pessoal, ela não passa de uma técnica como tantas outras. Daí a importância de criar um repertório próprio, conhecer seu corpo, investir o suor. Para ser artista, e não artesão. E aí, qual caminho você escolhe? ;-)